A técnica permite retirar os glóbulos vermelhos do doente e substituí-los por eritrócitos provenientes de dadores, sendo utilizada em situações clínicas específicas. A realização do procedimento em Angola representa um avanço na capacidade do país de oferecer tratamentos hematológicos mais especializados, reduzindo a necessidade de recorrer a serviços no exterior.
A iniciativa contou com a participação de especialistas brasileiros do Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no âmbito da parceria entre o Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, em Luanda, e o centro brasileiro.
Angola e Brasil recebem reconhecimento internacional
A cooperação entre as duas instituições foi distinguida pela Federação Mundial de Hemofilia (WFH) com o prémio de “Twins of the Year 2025”, na categoria de centros de tratamento de hemofilia. A distinção foi anunciada pela própria Federação em Maio de 2026.
Segundo a WFH, a parceria já produziu resultados concretos na melhoria do atendimento aos doentes com perturbações da coagulação. Em 2025, uma formação realizada em Angola reuniu 97 profissionais de Angola, Moçambique e Cabo Verde e contribuiu para que 20 pessoas com perturbações hemorrágicas começassem tratamento profiláctico.
O programa de cooperação Angola–Brasil foi integrado no programa de Twinning da Federação Mundial de Hemofilia, criado para promover a troca de conhecimentos, formação de profissionais e desenvolvimento das capacidades dos centros de tratamento.
Durante o workshop deste ano, participaram 116 profissionais de diferentes áreas da saúde, incluindo medicina, enfermagem, fisioterapia, psicologia, odontologia e diagnóstico.
Para as autoridades angolanas, a introdução da eritrocitaférese e o reconhecimento internacional da parceria demonstram o avanço da capacidade nacional para prestar cuidados especializados a pessoas com hemofilia e outras doenças hematológicas.
Fontes: Federação Mundial de Hemofilia (WFH) e Ministério da Saúde de Angola.

Foto: Angola realiza pela primeira vez eritrocitaférese e reforça tratamento da hemofilia — Arquivo CF