Na intervenção, o governante destacou que Angola ocupa actualmente a posição de terceiro maior produtor mundial de diamantes, tanto em volume como em valor, e reiterou o objectivo de alcançar o segundo lugar até 2030. Segundo explicou, esta meta assenta num conjunto de reformas destinadas a aumentar a produção, atrair investimento privado e fortalecer parcerias com empresas mineiras de dimensão internacional.
Entre os principais projectos em curso, foi destacada a mina do Luele, localizada na província da Lunda Sul, considerada um dos maiores projectos diamantíferos do mundo e responsável por impulsionar o crescimento da produção nacional. O secretário de Estado salientou igualmente o potencial da futura mina do Chiri, desenvolvida pela Rio Tinto, que deverá contribuir para o aumento da capacidade produtiva do sector nos próximos anos.
A transparência na cadeia de comercialização dos diamantes foi apresentada como uma das prioridades da política mineira angolana. Jânio Corrêa Victor recordou que o país integra o Processo Kimberley, mecanismo internacional criado para impedir a circulação de diamantes provenientes de zonas de conflito, e é igualmente membro da Iniciativa para a Transparência das Indústrias Extractivas (ITIE), reforçando o compromisso com boas práticas de governação no sector extractivo.
O responsável destacou ainda a parceria entre Angola e o Gemological Institute of America (GIA), destinada a reforçar os sistemas de certificação e rastreabilidade das pedras preciosas produzidas no país.
No plano comercial, a SODIAM – Bolsa de Diamantes de Angola foi apontada como uma plataforma estratégica para assegurar maior transparência nas transacções e acrescentar valor à comercialização dos diamantes angolanos nos mercados internacionais.
Durante a conferência, o secretário de Estado sublinhou igualmente o impacto económico e social da indústria diamantífera, defendendo que a exploração dos recursos minerais deve traduzir-se em benefícios directos para as comunidades.
Nesse contexto, destacou o papel da Fundação Brilhante, que desenvolve projectos nas áreas da educação, saúde e inclusão social, bem como o Pólo de Desenvolvimento do Diamante de Saurimo, vocacionado para promover a lapidação, a joalharia e outras actividades de transformação local, contribuindo para aumentar o valor acrescentado da produção nacional.
Outro dos compromissos reiterados foi a implementação do Acordo de Luanda, iniciativa lançada em 2025 por países produtores e centros internacionais de comercialização de diamantes naturais, que prevê a afectação de 1% das receitas obtidas com a venda de diamantes em bruto para campanhas globais de promoção desta indústria, num contexto de crescente concorrência dos diamantes sintéticos. A iniciativa conta com o apoio da Federação Mundial das Bolsas de Diamantes.
Ao concluir a sua intervenção, Jânio Corrêa Victor convidou investidores, operadores e representantes da indústria diamantífera mundial a participarem na Conferência Internacional de Minas e Diamantes, agendada para novembro, em Luanda, evento que pretende afirmar Angola como um dos principais destinos mundiais para o investimento mineiro.
