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Antónia Margareth: da menina descalça à lenda do atletismo angolano

Benedita Papel - 25 Aug, 2025 397 Visualizações
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Aos 12 anos, começou a correr na escola Mandume, no Lubango, e logo chamou atenção ao participar no Campeonato Provincial de 1990, onde venceu os 100m, 200m e a estafeta 4x100m. Na Taça Nacional, disputada em Luanda, derrotou a então maior velocista da época, Guilhermina Cruz, correndo descalça, o que a transformou na nova promessa do atletismo nacional.

Em 1991, consolidou o seu estatuto de estrela, vencendo novamente no Estádio dos Coqueiros e garantindo a qualificação para o Campeonato Africano no Cairo. Tornou-se recordista nacional dos 100m, 200m e provas de pista coberta, mantendo marcas históricas até hoje. Foi a primeira velocista angolana a correr os 100m abaixo dos 12 segundos.

Com apenas 18 anos, integrou a delegação angolana nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, mas uma lesão muscular adiou o sonho da estreia olímpica. Ainda assim, continuou a representar Angola em grandes eventos: Campeonato Africano de Durban (1993), Mundial de Gotemburgo (1995), Jogos Pan-Africanos no Zimbabwe (1995) e Ibero-Americano de Huelva (2004), entre outros.

Em 1994, chegou a Portugal com apoio de Rui Mingas e, no ano seguinte, tornou-se atleta do Sport Lisboa e Benfica, onde bateu o recorde nacional dos 100m (11,69s) e obteve a segunda melhor marca nos 200m (24,62s). Também representou o Joma de Queluz em 2002.

Ao longo da carreira, nunca perdeu uma prova em Angola e permaneceu como referência do atletismo feminino, mesmo após a interrupção de dois anos em 2005, quando foi mãe pela primeira vez. O seu legado inspira novas gerações, mantendo viva a história da “menina que corria descalça” e se tornou lenda do desporto nacional.