ÚLTIMA HORA
4.2% no primeiro trimestre Nova linha de metro conectará Luanda ao aeroporto internacional Selecção Nacional convocada para as eliminatórias do CAN 2026 4.2% no primeiro trimestre Nova linha de metro conectará Luanda ao aeroporto internacional Selecção Nacional convocada para as eliminatórias do CAN 2026
Luanda, 10 de abril de 2026

Chumbo Fresco
JORNALISMO INDEPENDENTE
sociedade

Antónia Margareth: da menina descalça à lenda do atletismo angolano


IMG Foto: Antónia Margareth: da menina descalça à lenda do atletismo angolano — Arquivo CF

Aos 12 anos, começou a correr na escola Mandume, no Lubango, e logo chamou atenção ao participar no Campeonato Provincial de 1990, onde venceu os 100m, 200m e a estafeta 4x100m. Na Taça Nacional, disputada em Luanda, derrotou a então maior velocista da época, Guilhermina Cruz, correndo descalça, o que a transformou na nova promessa do atletismo nacional.

Em 1991, consolidou o seu estatuto de estrela, vencendo novamente no Estádio dos Coqueiros e garantindo a qualificação para o Campeonato Africano no Cairo. Tornou-se recordista nacional dos 100m, 200m e provas de pista coberta, mantendo marcas históricas até hoje. Foi a primeira velocista angolana a correr os 100m abaixo dos 12 segundos.

Com apenas 18 anos, integrou a delegação angolana nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, mas uma lesão muscular adiou o sonho da estreia olímpica. Ainda assim, continuou a representar Angola em grandes eventos: Campeonato Africano de Durban (1993), Mundial de Gotemburgo (1995), Jogos Pan-Africanos no Zimbabwe (1995) e Ibero-Americano de Huelva (2004), entre outros.

Em 1994, chegou a Portugal com apoio de Rui Mingas e, no ano seguinte, tornou-se atleta do Sport Lisboa e Benfica, onde bateu o recorde nacional dos 100m (11,69s) e obteve a segunda melhor marca nos 200m (24,62s). Também representou o Joma de Queluz em 2002.

Ao longo da carreira, nunca perdeu uma prova em Angola e permaneceu como referência do atletismo feminino, mesmo após a interrupção de dois anos em 2005, quando foi mãe pela primeira vez. O seu legado inspira novas gerações, mantendo viva a história da “menina que corria descalça” e se tornou lenda do desporto nacional.