Entre as medidas aprovadas, destaca-se a descida da Taxa BNA de 17,00% para 15,75%. O banco central reduziu igualmente a taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18,00% para 16,75% e a taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 16,00% para 14,75%, num sinal de flexibilização da política monetária após vários meses de controlo da inflação.
Segundo o comunicado do CPM, a inflação homóloga desceu para 10,11% em junho, mantendo a trajetória descendente observada desde o início do ano. A inflação mensal fixou-se em 0,52%, apesar dos ajustamentos nos preços do gasóleo e da eletricidade. O BNA destacou ainda que dez províncias registaram inflação inferior a 10%, incluindo Luanda, cuja taxa se situou em 9,96%, refletindo uma desaceleração generalizada da subida dos preços em todo o país.
No plano económico, o banco central revelou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado sobretudo pelo desempenho do setor não petrolífero, que registou uma expansão de 6,22%, enquanto o setor petrolífero apresentou uma ligeira contração de 0,21%. Para o conjunto do ano, o BNA reviu em alta a previsão de crescimento da economia angolana para 3,6%, sustentada pela dinâmica das atividades não ligadas ao petróleo.
O Comité destacou igualmente a evolução do setor externo, referindo que o saldo da balança de bens atingiu 10,56 mil milhões de dólares no primeiro semestre, superior ao registado no período homólogo de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo aumento das exportações, sobretudo de petróleo, embora as importações de combustíveis tenham mais do que duplicado. As reservas internacionais fixaram-se em 14,93 mil milhões de dólares, correspondendo a cerca de 6,2 meses de cobertura das importações.
No cenário internacional, o BNA alertou para a persistência de riscos associados às tensões geopolíticas, em particular no Médio Oriente, que continuam a influenciar os mercados globais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu recentemente em baixa a previsão de crescimento da economia mundial para 3,0% em 2026 e elevou a projeção da inflação global para 4,7%. Ainda assim, o banco central angolano considera que, no contexto nacional, as pressões inflacionistas deverão permanecer controladas, razão pela qual reviu em baixa a previsão da inflação para 8,6%, com uma margem de um ponto percentual até ao final do ano.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária está agendada para os dias 14 e 15 de setembro de 2026, em Luanda, onde será reavaliada a evolução da economia nacional e internacional.
Fontes: Banco Nacional de Angola (Comunicado da 130.ª Reunião do Comité de Política Monetária); Instituto Nacional de Estatística (INE); Fundo Monetário Internacional (FMI).

Foto: Banco Nacional de Angola reduz taxas de juro e prevê inflação de 8,6% até ao final de 2026 — Arquivo CF