Entre os libertados estão 34 homens e uma mulher, com idades entre 20 e 32 anos, que haviam sido acusados de saquear um estabelecimento comercial, causando prejuízos estimados em 15 milhões de meticais. Os produtos alegadamente furtados incluíam sacos de arroz e açúcar, fraldas descartáveis e uma fechadura — nenhum dos quais foi encontrado na posse dos arguidos.
O tribunal considerou que não havia evidências que ligassem os detidos ao local do crime, nem testemunhos que confirmassem a sua presença nas imediações. A acusação de motim também foi descartada, uma vez que muitos dos indivíduos foram detidos em locais distintos e em momentos diferentes, longe das manifestações.
A ONG moçambicana sublinha ainda que o proprietário do estabelecimento nunca compareceu para formalizar a denúncia, o que fragilizou ainda mais o processo judicial.
Segundo dados da Plataforma Decide, cerca de 7.200 pessoas foram detidas em todo o país durante os protestos pós-eleitorais, dos quais 4.337 já se encontram em liberdade. Os restantes 2.863 continuam encarcerados, muitos sem julgamento ou provas consistentes, aguardando a revisão dos seus casos ou o indulto previsto no Boletim da República, no âmbito do acordo político entre o Presidente Daniel Chapo e partidos da oposição.
As manifestações, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, contestaram os resultados das eleições de 9 de Outubro, que deram vitória ao candidato da Frelimo. A crise pós-eleitoral provocou vandalizações em mais de 500 empresas e deixou cerca de 12 mil pessoas desempregadas, segundo estimativas da Confederação das Associações Económicas. Organizações independentes apontam ainda para cerca de 400 mortes em confrontos com as forças de segurança, antes da retomada do diálogo político.