A Guiné está sob regime militar desde o golpe de Estado de 2021, liderado pelo coronel Mamady Doumbouya, que prometeu restaurar a ordem constitucional através de eleições livres e transparentes.
O novo processo eleitoral decorre ao abrigo de uma constituição revista, que permite a Doumbouya candidatar-se à presidência — embora o líder ainda não tenha confirmado oficialmente se o fará.
O valor exigido aos candidatos supera as expectativas dos analistas, que esperavam uma redução para incentivar uma participação mais ampla. O depósito anterior era de 800 milhões de francos, considerado já elevado.
De acordo com a Comissão Eleitoral Nacional Independente, o montante visa garantir a seriedade e credibilidade dos candidatos, e apenas aqueles que obtiverem mais de 5% dos votos na primeira volta terão o valor reembolsado.
Entretanto, figuras políticas e activistas da sociedade civil criticaram a decisão, considerando-a elitista e excludente.
A candidata Faya Millimono recordou que o valor “nunca ultrapassou os 50 milhões de francos até 2005” e acusou as autoridades de “bloquear a participação de novos actores políticos”.
“A loucura começou em 2010, quando o depósito passou de 50 milhões para 400 milhões. Hoje estamos a falar de quase 900 milhões. É um valor que impede muitos cidadãos de concorrer”, afirmou.
Até ao momento, 50 candidatos de partidos políticos e 16 independentes foram aprovados provisoriamente. Os principais partidos da oposição, o Rali do Povo da Guiné (RPG Arc-en-Ciel), de Alpha Condé, e a União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), de Cellou Dalein Diallo, ainda não constam da lista, mas poderão fazê-lo até ao encerramento do período de registo.