IMG-LOGO
Página Inicial Caso Kopelipa: Tribunal ouve gestor, Vicente não participa
sociedade

Caso Kopelipa: Tribunal ouve gestor, Vicente não participa

Helena Matias - 07 Aug, 2025 267 Visualizações
IMG

Ex-diretor da Delta Imobiliária, Paulo Cascão, tornou-se figura central no processo que envolve os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, ambos antigos colaboradores próximos do ex-Presidente José Eduardo dos Santos. O Ministério Público aponta que a empresa liderada por Cascão participou num esquema de “contrato de reembolso” que teria facilitado o desvio de centenas de milhões de dólares ao Estado angolano, através da Sonangol Imobiliária, subsidiária da petrolífera nacional.

As declarações de Cascão foram colhidas pela Polícia Judiciária Portuguesa, após solicitação da Procuradoria-Geral da República de Angola, e só foram prestadas depois de o processo ter sido encaminhado para julgamento. Segundo a acusação, a Delta Imobiliária pertence ao engenheiro Manuel Vicente e aos generais Kopelipa e Dino, por meio do grupo A4, tendo Paulo Cascão como administrador único.

O suposto esquema teria começado com a transferência da titularidade de imóveis alegadamente construídos com fundos públicos para a empresa China International Fund (CIF) Hong Kong, representada à época pela Delta Imobiliária, sob orientação de Manuel Vicente.

O Tribunal Supremo prepara agora o interrogatório de Paulo Cascão por videoconferência, uma vez que reside em Lisboa. A audiência está prevista para o dia 18, e deverá marcar um ponto decisivo na fase de produção de prova.

Ao contrário de Manuel Vicente, ex-vice-Presidente da República, que é citado diversas vezes na acusação mas não será ouvido nesta fase, Cascão terá de prestar esclarecimentos sobre o alegado esquema de “contrato de reembolso” que teria causado prejuízos milionários ao Estado angolano, por meio da Sonangol Imobiliária.

Após a audição de Cascão, o processo entra na reta final, com o confronto jurídico entre o Ministério Público e os advogados de defesa. As alegações finais deverão girar em torno dos elementos probatórios já produzidos, podendo culminar na condenação ou absolvição dos réus.
Entre os arguidos estão os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, além de Fernando Gomes dos Santos, o cidadão chinês Yiu Haiming e as empresas Plansmart International Limited e Utter Right International Limited.

Todos enfrentam acusações graves, incluindo peculato, burla por defraudação, falsificação de documentos, associação criminosa e abuso de poder.
Crédito: Novo jornal