A informação foi avançada esta terça-feira, 11 de Agosto, pela Rádio Nacional de Angola, citando o director do Gabinete Provincial para o Desenvolvimento Económico Integrado de Benguela, Lino Cassivella.
Dos 241 processos registados, apenas 47 foram aprovados, enquanto 40 foram submetidos a visitas de avaliação pelas equipas técnicas. Até ao momento, somente dez empresas conseguiram receber efectivamente o financiamento.
Um dos aspectos que mais preocupa os empresários é o limite imposto pelo programa. Apesar de algumas empresas terem registado prejuízos superiores a 2 mil milhões de kwanzas, havendo casos que chegam aos 3 mil milhões, o apoio máximo está fixado em 300 milhões de kwanzas por beneficiário.
Segundo Lino Cassivella, o valor atribuído depende da avaliação realizada pelas equipas técnicas e não corresponde necessariamente ao total das perdas registadas.
“Quem teve prejuízo de 900 milhões não poderá ter acesso a esta cobertura financeira, mas poderá concorrer para ter os 300 milhões de kwanzas”, explicou o responsável.
O Executivo anunciou, a 22 de Abril, uma linha de crédito de 30 mil milhões de kwanzas destinada a apoiar famílias e empresas afectadas pelas calamidades naturais.
A medida foi posteriormente formalizada pelo Decreto Presidencial n.º 79/26, de 27 de Abril, que estabeleceu o limite de 300 milhões de kwanzas por beneficiário e atribuiu ao Banco de Poupança e Crédito (BPC) a operacionalização do financiamento.
O BPC anunciou o início da operacionalização do programa “Crédito Recomeçar” a 5 de Maio. O prazo para apresentação dos pedidos terminou a 30 de Junho.
Desde o anúncio da linha de crédito até à divulgação dos primeiros desembolsos, em 11 de Agosto, passaram 111 dias.
As cheias ocorreram em Abril, na sequência de fortes chuvas e do rompimento parcial dos diques do rio Cavaco, provocando danos em empresas, habitações e infra-estruturas e afectando milhares de famílias.
Paralelamente ao apoio financeiro às empresas, o Executivo aprovou mais de 356 mil milhões de kwanzas para obras de emergência destinadas à recuperação dos danos provocados pelas calamidades naturais.
Só para o rio Cavaco, estão previstos mais de 31,3 mil milhões de kwanzas para a recuperação dos diques, o desassoreamento do curso de água e a avaliação da ponte sobre o rio.

Foto: Cheias do Cavaco: só 10 das 241 empresas afectadas receberam apoio — Arquivo CF