Apesar da euforia dos quatro dias de festa, as primeiras horas da manhã de ontem foram marcadas pelo regresso em massa de estudantes e trabalhadores às suas actividades habituais.
Nas principais artérias de Luanda, era visível o movimento de pessoas vestidas com batas brancas e uniformes escolares, rumo às instituições de ensino. Em escolas como a nº1057 “Juventude em Luta” e o Instituto Médio Politécnico “Alda Lara”, ambas na Maianga, o ambiente era de normalidade, com as salas cheias e alunos motivados a retomar as aulas.
Durante as rondas efectuadas pelo Jornal de Angola, registou-se entusiasmo entre os estudantes, que, entre risos e comentários, partilhavam experiências sobre o feriado. “Estamos a estudar”, gritou um deles, simbolizando o espírito de retorno à rotina.
Nos serviços públicos, o cenário foi misto. Algumas conservatórias e repartições apresentaram fraca afluência de utentes, embora os funcionários tenham comparecido ao trabalho, prontos para atender o público. Um trabalhador da 3ª Conservatória do Registo Civil, na Maianga, afirmou que “a equipa está preparada para atender os cidadãos com a mesma dedicação de sempre”.
Na província do Bengo, o regresso ao trabalho decorreu de forma ordeira e sem constrangimentos. Eva da Costa, chefe do núcleo de apoio da ENDE-Bengo, elogiou a pontualidade dos funcionários, enquanto Carlos Pedro, gerente da ZAP-Bengo, destacou a assiduidade exemplar dos trabalhadores.
Já no Cuando Cubango, o cenário foi diferente. Em Menongue, registou-se um nível preocupante de absentismo, com presenças que variaram entre 50 e 90 por cento. A directora do Gabinete de Recursos Humanos do Governo Provincial, Ana Fernanda Mucamba, garantiu que as ausências injustificadas seriam tratadas conforme a lei, apelando ao sentido de dever dos funcionários públicos.
Em Icolo e Bengo, cerca de 90 por cento dos trabalhadores das instituições da Administração Pública compareceram ao serviço. O director provincial de Recursos Humanos, Mário António, considerou satisfatória a adesão, sublinhando que todos os organismos seguem as orientações do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.
O transporte público também registou movimento intenso nas primeiras horas da manhã. O assessor de Comunicação e Marketing da TCUL, André Gomes, informou que 80 por cento da frota esteve em operação, assegurando a mobilidade urbana e interurbana. “Estamos a operar com mais de 100 viaturas, garantindo o transporte dos cidadãos sem grandes ocorrências”, afirmou.
Com o fim das comemorações, o país volta, assim, ao seu ritmo habitual — entre aulas, trabalho e trânsito — num ambiente que ainda carrega o espírito festivo do cinquentenário da Independência Nacional.