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Eleições nos Camarões testam fim de 43 anos de poder de Paul Biya

Benedita Malanda - 06 Oct, 2025 137 Visualizações
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A campanha presidencial dos Camarões arrancou no sábado com doze candidatos na corrida, num pleito que poderá determinar o fim ou a continuidade dos 43 anos de liderança de Paul Biya, o chefe de Estado mais antigo de África, depois de Teodoro Obiang Nguema, da Guiné Equatorial.

Entre os principais adversários de Biya está o ex-ministro do Turismo, Bello Bouba Maigari, antigo aliado do presidente, que lançou a sua candidatura com um comício em Duala. Durante o evento, Maigari apelou à vigilância dos eleitores e à rejeição de qualquer tentativa de fraude, defendendo que “a verdadeira mudança virá do povo”.

A oposição, contudo, continua fragmentada. Apesar de apelos à união em torno de um único candidato, figuras como Issa Tchiroma Bakary e Cabral Libii, este último com forte apoio juvenil, mantêm campanhas independentes. Libii, de 45 anos, é um dos mais jovens concorrentes e ficou em terceiro lugar nas eleições de 2018.

Enquanto cerca de oito milhões de eleitores se preparam para votar, o ambiente político é marcado por restrições e detenções. A Amnistia Internacional exigiu recentemente a libertação de 36 apoiantes do Movimento para o Renascimento dos Camarões (MRC), presos desde 2019 por participarem em protestos pacíficos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também expressou preocupação com o estado da liberdade de expressão no país.

Em paralelo, a região enfrenta novos desafios de segurança. Mais de cinco mil pessoas fugiram da Nigéria para o território camaronês após combatentes do Boko Haram capturarem a cidade nigeriana de Kirawa, no estado de Borno. O ataque, que destruiu infra-estruturas e provocou um êxodo em massa, evidencia o agravamento da crise humanitária e a persistente ameaça jihadista na África Ocidental.

Com 92 anos e quase meio século de governo, Paul Biya busca prolongar um regime que moldou a história política dos Camarões — e o escrutínio de 12 de Outubro poderá decidir se o país entra num novo capítulo ou reafirma o domínio de um dos líderes mais duradouros do continente.