O anúncio foi acolhido pelos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), organismo da União Africana (UA), que destacou que Washington continua a ser o maior financiador da resposta internacional ao actual surto.
Com esta nova contribuição, o apoio financeiro norte-americano ultrapassa os 512 milhões de dólares, destinados às operações de emergência na RDCongo e ao reforço da capacidade de resposta dos países vizinhos expostos ao risco de propagação da doença.
Segundo o Africa CDC, os recursos permitirão salvar vidas, fortalecer as equipas de resposta no terreno e melhorar a vigilância epidemiológica e a preparação nas zonas fronteiriças. A instituição apelou ainda à comunidade internacional para acelerar o desembolso dos fundos prometidos e colmatar as necessidades financeiras ainda existentes.
Entretanto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos esclareceu que o pacote de ajuda humanitária ascende a 350 milhões de dólares, abrangendo igualmente o Uganda e o Sudão do Sul, países que enfrentam riscos elevados devido à proximidade com as áreas afectadas.
De acordo com o Ministério da Saúde da RDCongo, o actual surto já provocou 1.801 mortes e 3.973 casos confirmados, com uma taxa de letalidade de 45,3%, segundo dados actualizados até 4 de Agosto.
As autoridades sanitárias informaram ainda que 674 pessoas permanecem internadas ou em isolamento, enquanto 776 doentes recuperaram da infecção.
O surto, declarado em 15 de Maio de 2026, tornou-se o segundo maior da história em número de casos e o maior alguma vez registado na República Democrática do Congo, ultrapassando a epidemia de 2018-2020, que contabilizou 3.481 casos e 2.299 mortes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a propagação da doença está a ocorrer mais rapidamente do que a capacidade de resposta. Durante uma visita recente à RDCongo, o director-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu um reforço urgente das operações de combate ao vírus e apelou à mobilização de mais recursos para conter a epidemia.
Apesar da situação na RDCongo, o Uganda declarou-se livre do Ébola no final de Julho, após controlar um surto que resultou em 20 casos confirmados, incluindo infecções importadas do país vizinho.

Foto: Estados Unidos reforçam apoio à resposta ao Ébola na RDCongo com mais 242 milhões de dólares — Arquivo CF