Com 170 metros de altura, quase dois quilómetros de extensão e um reservatório de 74 mil milhões de metros cúbicos, a GERD custou cerca de 4 biliões de dólares e deve duplicar a actual capacidade energética da Etiópia. A inauguração, a 9 de Setembro, reuniu líderes regionais, entre eles os presidentes do Quénia, Somália, Djibouti e Sudão do Sul, além do presidente da Comissão da União Africana.
O projecto destaca-se pelo seu financiamento exclusivo através de títulos do Governo, doações privadas e contribuições de cidadãos etíopes, residentes no país e na diáspora. O Primeiro-Ministro Abiy Ahmed classificou a obra como "o maior mega projecto da história do povo negro", comparando-a à vitória histórica de Adwa contra a invasão italiana, em 1896.
A barragem deverá fornecer electricidade a milhões de etíopes que ainda vivem sem acesso à energia, impulsionar a industrialização e permitir exportações de electricidade para países vizinhos, reforçando a integração económica regional.
Contudo, o Egipto e o Sudão manifestaram preocupações quanto ao impacto da infraestrutura no fluxo do Nilo. O Cairo, que depende em 97% do rio para o abastecimento de água, levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU, classificando a inauguração como “acto unilateral”. Adis Abeba, por sua vez, garante que a GERD não prejudicará os países a jusante.
Apesar das disputas diplomáticas, líderes africanos como William Ruto, do Quénia, saudaram o projecto como um marco de auto-suficiência e de cooperação continental