Numa nota informativa, a FAF esclarece que o vínculo contratual de Pedro Gonçalves, iniciado a 6 de Fevereiro de 2024, ficou sujeito a uma cláusula de termo resolutivo incerto, relacionada com a campanha de qualificação de Angola para o Campeonato do Mundo de 2026. Segundo a federação, o técnico foi informado, a 16 de Setembro de 2025, de que o contrato cessaria em Outubro de 2025, altura em que terminou oficialmente as funções como seleccionador nacional.
A instituição liderada por Fernando Alves Simões refere que, após a cessação do contrato, procedeu ao pagamento de todas as remunerações e da indemnização prevista na cláusula contratual, como se o vínculo tivesse chegado ao seu termo normal.
Contudo, a FAF revela que foi posteriormente notificada, a 6 de Maio de 2026, de uma decisão da Câmara de Estatuto dos Jogadores da FIFA, que determinava o pagamento de 60.806,99 dólares norte-americanos, relativos a remunerações consideradas vencidas e não pagas, acrescidos de juros de mora, bem como de 125.161,29 dólares, a título de indemnização, igualmente acrescidos de juros.
De acordo com a federação, esses montantes já haviam sido liquidados anteriormente através de transferências bancárias efectuadas para a conta indicada pelo próprio treinador. Entre os comprovativos apresentados constam uma operação realizada em 15 de Dezembro de 2025, no valor de 39.425.208,84 kwanzas, e outra efectuada em 17 de Março de 2026, no montante de 89.780.990,66 kwanzas.
A direcção da FAF sustenta que comunicou toda a documentação comprovativa à FIFA e sublinha que, até ao momento, não existe uma decisão final sobre o diferendo.
Na mesma nota, a federação considera ainda que é juridicamente incorrecto atribuir à decisão um alcance superior ao previsto pelos regulamentos da FIFA, pela legislação angolana e pelas cláusulas contratuais celebradas entre as partes.
A FAF acrescenta que qualquer interpretação que conduza a uma dupla compensação financeira violaria os princípios da legalidade, da autonomia privada e da reparação integral, afastando a possibilidade de uma sobrecompensação do dano.
No comunicado, a Federação Angolana de Futebol manifesta respeito pelo trabalho dos órgãos de comunicação social e pela liberdade de imprensa, mas apela para que sejam ouvidas todas as partes envolvidas antes da divulgação de matérias relacionadas com processos ainda em curso.
A instituição reafirma igualmente a sua disponibilidade para continuar a cooperar com a FIFA e garante que prestará todos os esclarecimentos necessários logo que exista uma decisão oficial, evitando, segundo refere, especulações susceptíveis de induzir a opinião pública em erro.
O esclarecimento da FAF surge depois de notícias que davam conta de sanções aplicadas pela FIFA devido ao alegado incumprimento das obrigações financeiras para com Pedro Gonçalves e a sua equipa técnica. A federação, porém, mantém que a dívida foi regularizada e que o processo continua pendente de decisão definitiva.

Foto: FAF rejeita incumprimento no caso Pedro Gonçalves e garante ter liquidado todos os valores devidos — Arquivo CF