Em comunicado, a FIFA esclareceu que pretende criar uma nova entidade comercial para gerir e potenciar as receitas das suas principais competições, incluindo o Campeonato do Mundo. Segundo o organismo, o objetivo é aumentar o investimento no desenvolvimento do futebol global para mais de 10 mil milhões de dólares, reforçando o apoio às 211 federações-membro.
A criação desta nova estrutura dependerá da aprovação da maioria das associações nacionais filiadas na FIFA e do Conselho da organização.
No entanto, vários órgãos internacionais de comunicação social, entre eles o The Times e o Financial Times, revelam que o projeto prevê a venda de participações dessa entidade comercial a investidores privados, numa operação que poderá render à FIFA cerca de 4,2 mil milhões de dólares.
De acordo com essas informações, a FIFA estará a trabalhar com o banco de investimento J.P. Morgan para estruturar a operação. Entre os potenciais investidores surge a empresa Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A UEFA foi a primeira grande organização do futebol a manifestar oposição pública ao plano. Num comunicado oficial, o organismo europeu afirmou que a proposta representa uma linha que "nunca deveria ser ultrapassada".
"A alma e a governação do futebol não são ativos para negociação. Nenhum de nós é proprietário do futebol", afirmou a UEFA.
O organismo liderado por Aleksander Čeferin defende que qualquer alteração estrutural desta dimensão deve ser conduzida com total transparência e sem colocar em causa o modelo de governação do futebol mundial.
O antigo presidente da FIFA, Sepp Blatter, também criticou a iniciativa, acusando Gianni Infantino de aproximar excessivamente a organização de interesses financeiros e políticos.
Numa publicação na rede social X, Blatter afirmou que "ninguém tem o direito de vender o nosso jogo", referindo-se igualmente à relação de proximidade entre Infantino e Donald Trump.
Entretanto, a Sky News avançou que algumas federações europeias estarão a discutir a possibilidade de adotar medidas de protesto, incluindo um eventual boicote ao Campeonato do Mundo Feminino de 2027, que será disputado no Brasil, caso o projeto avance sem consenso entre os principais organismos do futebol.
Até ao momento, a FIFA não confirmou qualquer venda de direitos comerciais, reiterando apenas que pretende criar uma nova estrutura para maximizar receitas e aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento da modalidade.
A FIFA anunciou um projeto para criar uma nova estrutura comercial que poderá permitir a entrada de investidores privados na exploração dos direitos comerciais do Campeonato do Mundo. Segundo o organismo, a iniciativa pretende aumentar o investimento no desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares.
A proposta foi fortemente contestada pela UEFA, que defende que "o futebol não está à venda" e considera que a governação da modalidade não deve ser entregue a interesses privados. A polémica gerou críticas de vários dirigentes e antigos responsáveis do futebol, enquanto algumas federações europeias ponderam formas de protesto.

Foto: FIFA enfrenta críticas após avançar com plano para criar nova estrutura comercial do Mundial — Arquivo CF