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João Lourenço apresenta novas propostas para a paz no Leste da RDC

Benedita Malanda - 06 Jan, 2026 44 Visualizações
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No final do encontro, o Presidente Félix Tshisekedi afirmou que as propostas apresentadas pelo estadista angolano são “interessantes” e poderão contribuir de forma decisiva para a busca de uma paz definitiva naquela região, embora o seu conteúdo não tenha sido divulgado.

“Tive uma conversa muito boa com o Senhor Presidente, que, como homem de iniciativas, apresentou algumas propostas de paz que prefiro não revelar neste momento”, declarou o Chefe de Estado congolês, acrescentando que o diálogo incidiu essencialmente sobre a situação de segurança no Leste da RDC.

Félix Tshisekedi assegurou que as iniciativas avançadas por João Lourenço, actual Presidente em exercício da União Africana (UA), enquadram-se plenamente nos Acordos de Washington e de Doha, reforçando os mecanismos já existentes para a resolução do conflito. “Não se trata de sair do quadro estabelecido, mas de fortalecer e oferecer novas saídas dentro dessas iniciativas”, esclareceu.

Apesar dos esforços diplomáticos em curso, o Presidente da RDC reconheceu que o conflito armado persiste naquela região, marcada por décadas de instabilidade e violência. Esta foi a segunda visita de trabalho de Félix Tshisekedi a Angola em menos de três meses, desde a assinatura dos Acordos de Washington, a 4 de Dezembro do ano passado, entre a RDC e o Rwanda, com mediação dos Estados Unidos da América e testemunho de vários líderes africanos, incluindo João Lourenço.

Na ocasião da assinatura do acordo, o Presidente angolano lamentou a duração prolongada do conflito, que já ultrapassa três décadas, sublinhando as suas consequências negativas para as populações e economias dos dois países vizinhos. João Lourenço destacou ainda o enorme potencial económico da Região dos Grandes Lagos, rica em recursos naturais e humanos, que poderia desempenhar um papel relevante na resposta às actuais crises alimentar e energética globais.

A instabilidade no Leste da RDC agravou-se com o ressurgimento do grupo rebelde M23, em 2022, provocando milhões de mortos e deslocados ao longo dos anos. A ONU classifica a situação como uma das crises humanitárias mais prolongadas e complexas do mundo, tendo reiterado o reconhecimento do papel de Angola nos esforços de mediação e pacificação da região dos Grandes Lagos.