A greve foi convocada pelo Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SJS), que acusa o Governo de não cumprir compromissos assumidos anteriormente, sobretudo relacionados com a Taxa Audiovisual cobrada através da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE).
Entre as reivindicações estão o pagamento dos valores em atraso, melhorias nas condições de trabalho e a conclusão das obras das instalações da Televisão São-tomense (TVS). Os profissionais da STP-Press também reclamam melhores condições depois de a agência ter passado a funcionar junto da Rádio Nacional.
Segundo o sindicato, a situação não é nova. Em Setembro de 2025, os profissionais já tinham ameaçado paralisar as actividades devido a questões salariais e à gestão da Taxa Audiovisual, tendo posteriormente suspendido a greve após um entendimento com o Governo.
Com a nova paralisação, a Rádio Nacional suspendeu a emissão e os jornalistas deixaram de realizar coberturas, enquanto a TVS continua no ar, assegurada pelas chefias da estação.
O sindicato exige, para a suspensão da greve, o pagamento imediato dos subsídios em atraso provenientes da Taxa Audiovisual.
A paralisação acontece um dia antes da tomada de posse de Carlos Vila Nova, prevista para 3 de Setembro, perante a Assembleia Nacional. A Constituição são-tomense determina que o Presidente eleito toma posse perante o Parlamento.
Além da cerimónia de posse, a continuidade da greve poderá afectar a cobertura do acto central do Dia das Forças Armadas, a 6 de Setembro, e da campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regionais, prevista para começar a 12 de Setembro.
A tomada de posse deverá contar com a presença de várias autoridades estrangeiras. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, confirmou a sua participação na cerimónia, marcada para a Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe.
O presidente do sindicato, Jorge Do Ó, defende que a situação pode ser resolvida rapidamente, mas sublinha que os profissionais perderam a confiança nos acordos assinados anteriormente devido à falta de cumprimento.
Via:NM

Foto: Jornalistas são-tomenses entram em greve e ameaçam não cobrir posse de Carlos Vila Nova — Arquivo CF