Estudante do quarto ano de Produção de Petróleo e Gás, Adriana deixou Angola em 2021 com a ambição de contribuir para o desenvolvimento do país no sector petrolífero. “Quero ajudar a maximizar o potencial de Angola no petróleo e no gás”, sublinha a jovem, vencedora da Feira Nacional de Ciência em 2019.
Paralelamente à formação académica, fundou em 2023 o grupo cultural Coração de África, que já reúne 17 membros e se apresenta em instituições culturais russas, na Embaixada de Angola e em eventos internacionais. “Mostramos aos russos a riqueza da nossa cultura com dança, canto, teatro e poesia”, afirma.
A poesia é outra paixão de Adriana, que escreve e declama em português e russo, já tendo conquistado prémios literários em competições nacionais na Rússia. Para si, “a poesia é natural, ela escolheu-me”.
No meio académico, acumula funções de liderança: é presidente da associação dos estudantes angolanos na Universidade Gubkin, integra o coral universitário e organiza o projecto Angolanos na Rússia, que visa motivar novos estudantes.
Adriana já projeta o regresso ao país, inspirada em Agostinho Neto: “Havemos de voltar”. Entre os seus planos estão a criação de centros de formação, iniciativas de incentivo à juventude e a implementação de uma planta de reaproveitamento de óleo lubrificante, projecto já distinguido em Angola.
A adaptação à Rússia não foi fácil, sobretudo devido ao clima e à barreira linguística, mas a estudante encontrou acolhimento numa rede de amigos, colegas e figuras da comunidade angolana. “Família não é só sangue. Aqui encontrei mães, irmãs e irmãos. Sinto-me amada”, conclui.