A iniciativa visa interromper a circulação do vírus no meio ambiente, mesmo sem casos registados em humanos desde 2010. De acordo com Felismina Neto, a vigilância continua activa porque o vírus da pólio ainda circula em zonas com grande mobilidade populacional. Apesar de Angola ter recebido o certificado de erradicação em 2015, o risco de reintrodução do vírus persiste devido à sua presença em países vizinhos e endémicos.
Com um modelo porta-a-porta, a campanha contará com o apoio de mais de 11 mil profissionais, entre técnicos de saúde, líderes comunitários, religiosos e agentes locais. Haverá também equipas móveis e postos fixos em locais estratégicos como lavras, igrejas, mercados e creches. Mesmo as crianças que já tomaram a vacina anteriormente devem ser imunizadas novamente, já que esta dose responde especificamente à presença do vírus no ambiente. A vacina, oral e administrada em duas gotas, é gratuita, segura e eficaz.
Para garantir o controlo e monitorização da cobertura vacinal, será utilizada a técnica de marcação da unha do dedo mindinho da mão esquerda. A campanha terá três fases: preparatória, implementação e avaliação. Entre os maiores desafios apontados estão os bairros dos Rastas (Kilamba Kiaxi) e do Uíge (Mulenvos), onde ainda há resistência de alguns pais. Felismina Neto apelou à colaboração da imprensa e das lideranças locais para reforçar a sensibilização. “Vacinar é um direito e um dever de cidadania”, frisou.