O documento, baseado em contributos de mais de 6.900 mulheres de 119 países, sublinha que a escalada de abusos acompanha o crescimento das redes sociais e da inteligência artificial. Entre os casos relatados estão perseguições, assédio verbal, agressões físicas e sexuais, bem como práticas como o swatting — falsas denúncias que levam autoridades a deslocarem-se a residências das vítimas.
Segundo Julie Posetti, investigadora principal, o número de incidentes com consequências reais duplicou nos últimos cinco anos, com 42% das participantes em 2025 a reconhecerem esta “trajetória perigosa e potencialmente mortal”. O estudo destaca ainda que escritoras, influenciadoras e criadoras de conteúdos ligados aos direitos humanos são particularmente vulneráveis, devido ao uso de ferramentas como deepfakes e conteúdos manipulados.
Sarah Hendricks, diretora de políticas da ONU Mulheres, reforçou a gravidade da situação: “Mulheres que defendem os nossos direitos humanos, fazem jornalismo ou lideram movimentos sociais estão a ser alvo de abusos concebidos para as envergonhar, silenciar e afastar do debate público. Cada vez mais, estes ataques não ficam pelo ecrã — acabam à porta de casa das mulheres”.
As autoras do relatório apelam a medidas urgentes, incluindo legislação mais robusta, maior responsabilização das empresas tecnológicas e esforços acrescidos para amplificar as vozes de aliados que denunciem estas práticas.