Relativamente aos arguidos angolanos, o jornalista Amor Carlos Tomé, da Televisão Pública de Angola (TPA), poderá ser condenado a 15 anos de prisão e ao pagamento de 100 dias de multa. Já Francisco Oliveira, conhecido por "Buka Tanda" e secretário para a Mobilização da JURA, organização juvenil da UNITA, enfrenta um pedido de 10 anos de prisão e 60 dias de multa. O Ministério Público sustenta que ambos colaboraram com os cidadãos russos na alegada preparação de actos destinados a criar instabilidade no país.
Segundo a acusação, Igor Ratchin e Lev Lakshtanov integrariam uma organização terrorista internacional e terão financiado actividades consideradas subversivas em Angola, alegadamente com o objectivo de influenciar o panorama político nacional e favorecer a oposição nas eleições gerais de 2027. O MP afirma ainda que os dois russos terão investido mais de 150 mil dólares no financiamento dessas actividades e desempenhado um papel relevante nos acontecimentos relacionados com a greve dos taxistas, ocorrida em Julho do ano passado, que terminou com episódios de violência e dezenas de vítimas mortais.
Durante as alegações, a defesa contestou de forma veemente a acusação, classificando-a como infundada e sem provas consistentes. Os advogados dos arguidos rejeitaram a tese de terrorismo apresentada pelo Ministério Público, insistindo que os cidadãos russos pretendiam apenas desenvolver um projecto cultural em Angola e solicitaram ao tribunal a absolvição de todos os acusados.
Os quatro arguidos encontram-se detidos desde Agosto de 2025, na sequência das investigações desencadeadas após os protestos relacionados com a paralisação dos taxistas. Depois de concluída a fase das alegações finais, o tribunal deverá marcar a data para a leitura da sentença.
Fonte: Novo Jornal.

Foto: Ministério Público pede até 18 anos de prisão para arguidos no mediático "caso russos" — Arquivo CF