O projecto de electrificação da península do Mussulo, que começou a funcionar a 19 de Dezembro último, está a beneficiar 21.600 mil famílias.
No total, estão previstas 3.600 novas ligações domiciliares e o reforço da iluminação pública.
Trata-se de uma nova história que se inicia para a comunidade da Ilha do Mussulo, antes município do Talatona, em Luanda, mas passou a município, com a nova Divisão Político-Administrativa.
Considerado um dos principais destinos turísticos da capital do país, a região enfrentava enormes desafios devido à falta de energia eléctrica confiável. A nova realidade está a transformar o quotidiano dos moradores, comerciantes e empresários locais.
Numa ronda efectuada pelo Jornal de Angola, “obrigado” era a palavra que mais se ouvia da boca dos moradores, que receberam a inauguração da rede eléctrica com muita emoção. Até então, eles dependiam de geradores e sistemas improvisados para obter electricidade.
Com lágrimas nos olhos, Joana Mendes, moradora da península há mais de 20 anos, não escondeu a alegria. “Foram anos de dificuldades. Era muito caro usar o gerador e nem sempre conseguíamos atender todas as nossas necessidades”, disse.
Francisco António, outro munícipe, afirmou que, com a chegada da energia eléctrica, a vida da comunidade vai melhorar. “Com esta luz, a vida vai melhorar. Agora podemos guardar alimentos, as crianças podem estudar à noite e até a saúde vai melhorar”, realçou.
Para Mário Jorge, o fornecimento da energia da rede pública é um grande marco para as comunidades locais, que antes dependiam de geradores. “Antes da chegada da energia da rede pública, passávamos por muitas dificuldades para obtermos a energia da rede pública.
Agora, as dificuldades ficam para trás”, disse.
Valdemar Nzola, que viu parte dos electrodomésticos destruídos devido ao uso constante de geradores, disse esperar por dias melhores para a sua residência.
Ana Domingos, do bairro do Macoco, emocionada, disse que daqui em diante a sua vida fica mais facilitada. “Com a energia eléctrica, as coisas vão ficar mais facilitadas. Vou poder lavar, engomar e conservar os alimentos sem sobressaltos”, salientou.
Mudanças na rotina das famílias
Para muitos moradores, a energia eléctrica representa uma nova era de conforto e qualidade de vida.
Joana Pedro, que vive no Mussulo desde a infância, descreve como a novidade impactou a rotina da sua família. “Agora, as crianças podem estudar à noite sem depender de velas ou lanternas. O barulho dos geradores, finalmente, acabou, e isso nos dá mais tranquilidade em casa”, sublinhou.
Joaquim Caiombo, outro morador, revelou também que a energia eléctrica mudou a rotina do seu lar. “Não foi fácil depender de geradores, os electrodomésticos estragavam facilmente. Agora, com a chegada da corrente eléctrica, as coisas serão diferentes, vamos poder adquirir coisas novas, os filhos vão passar mais tempo em casa”, afirmou.
Prática de desporto à noite
A chegada da corrente eléctrica nos bairros da península do Mussulo traz consigo a prática desportiva no período noturno.
Apaixonado pelo futebol, Anastácio Correia confirma que a energia eléctrica “é um ganho para os amantes de desporto em toda extensão da ilha”. “Para nós, amantes do futebol, hoje recebemos dois presentes: o campo de futebol e a iluminação pública, isto é uma mais-valia”, disse, agradecendo às autoridades pela iniciativa.
Para Luís Ngola, a iluminação pública ao redor do campo traz benefícios para juventude da península, porque vai permitir a prática de actividades desportivas até ao período da noite. “Isto vai manter os jovens ocupados”, reconheceu.
Comunidade pesqueira
A comunidade pesqueira da península do Mussulo recebeu a energia eléctrica da rede pública com um grande entusiasmo, como confirma o pescador Luís António, que destacou o impacto positivo no seu trabalho.
“Com a energia, posso conservar o peixe no congelador. Antes, perdíamos muito produto por falta de refrigeração. Agora, espero aumentar o rendimento da minha família”, salientou.
A mesma opinião é partilhada por José Adão, outro pescador, que antes enfrentava dificuldades, devido aos custos de conservação. “Saímos a ganhar, os custos para a conservação serão reduzidos”, garantiu.
Impacto no turismo e no comércio
A chegada da energia eléctrica também é vista como um divisor de águas para o sector Turístico e Comercial. Restaurantes, resorts e pequenos negócios enfrentavam altos custos operacionais por depender de geradores.
Amélia Tavares, proprietária de um resort, acredita que a energia eléctrica vai impulsionar o turismo. “Os turistas reclamavam do barulho dos geradores e o custo de manutenção era altíssimo. Agora, teremos condições de oferecer um serviço melhor e até expandir os negócios. O Mussulo tem tudo para crescer ainda mais”, salientou.
José Correia, proprietário de um restaurante à beira-mar, compartilhou a mesma visão. “Já estamos a pensar em instalar novos equipamentos, como fornos e máquinas de gelo. Esta luz trouxe esperança para os empresários daqui”, disse.
Desafios
Apesar da celebração, muitos moradores lembraram que há outros desafios a serem enfrentados, como o acesso à água potável, saneamento básico e melhorias no transporte.
“Agora que já temos energia eléctrica, precisamos de água potável”, foram as palavras de alguns moradores.
João Miguel, morador do Mussulo e activista comunitário, fez um apelo às autoridades. “A luz é uma grande conquista, mas precisamos de mais. A água potável ainda é um problema e a ligação entre o Mussulo e o resto de Luanda continua complicada. Esperamos que o Governo não pare por aqui”, apelou.
Além dos benefícios directos, muitos moradores enxergam a chegada da energia eléctrica como um passo para um futuro mais promissor. No entanto, eles também reconhecem que há outras necessidades a serem atendidas.
Joaquim Dias, líder comunitário, afirmou que a falta de energia eléctrica era uma reivindicação antiga das comunidades da península. “A energia eléctrica era uma reivindicação antiga e finalmente foi atendida, mas ainda precisamos de melhorias no abastecimento de água potável e no transporte regular entre o Mussulo e Luanda. A luz é só o começo”, realçou.
José Ngueve, outro morador, tem esperança que a energia eléctrica da rede pública vai permitir o desenvolvimento e o crescimento das comunidades da península do Mussulo.
Com a energia eléctrica disponível, as perspectivas para o Mussulo são promissoras, como afirma Joaquim Ngola, que destaca que esse serviço público simboliza mais do que electricidade. “Agora temos esperança de que tudo pode melhorar. Esta luz não é só para as nossas casas, mas para o futuro do Mussulo”, realçou.
Manuel Neto, outro morador, acrescenta que a energia que agora ilumina o Mussulo não é apenas um avanço técnico, mas um símbolo de mudança para uma comunidade que lutou por décadas por esse direito básico.
Iluminação pública
No Mussulo, ficam para trás as preocupações relacionadas com a iluminação pública, elevando o sentimento de segurança da população.
As ruas dos bairros Contracosta, Cambaxi, Mussulo Centro, Macoco, Ponta da Barra e Pior estão mais iluminadas com a implementação de 950 postos de iluminação pública. Cenário que deixa os moradores satisfeitos, como afirmou o morador do bairro Pior, Dinis Quissanga.
“A obra é bem-vinda para a nossa comunidade, uma vez que vamos poder nos deslocar para diversos pontos da ilha sem sobressaltos”, disse.
Na ocasião, era notória a satisfação das crianças que brincavam nas ruas iluminadas.
Anastácia Nzinga destacou que a iluminação pública é uma mais valia, porque vai permitir as pessoas se locomoverem nas várias artérias da ilha no período da noite.
Início de uma nova fase
Entre o alívio de finalmente terem acesso à electricidade da rede pública e a esperança de novos investimentos na região, a comunidade do Mussulo celebra o momento como o início de uma nova fase para a península.
De acordo com Carla Almeida, a luz eléctrica vai fazer a localidade prosperar. “Com a luz, tudo parece mais possível. Estamos prontos para crescer e mostrar o potencial do Mussulo para o mundo”, disse emocionada.
Para António Ngola, o acesso à luz eléctrica para toda a comunidade "vai ajudar em muita coisa”, “Os moradores e os empresários locais vão desenvolver. Portanto, o dia 19 de Dezembro (data em que foi inaugurada a rede pública) é um grande marco para a extensão da ilha”, afirmou.
Energia limpa e sustentável
Para o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, que presidiu ao acto de inauguração da rede pública na península, a conclusão do projecto marca um divisor de águas para o Mussulo, após décadas de espera. “Finalmente, paramos os geradores no Mussulo.
Estamos a trazer energia limpa e sustentável para uma área de enorme potencial turístico, eliminando o uso de geradores e combustíveis fósseis”, destacou.
Além da electrificação, o titular do sector da Energia e Águas anunciou a preparação de um projecto para garantir o abastecimento de água potável e a construção de uma estação de tratamento de águas residuais.
João Baptista Borges considerou esses projectos como sendo essenciais para impulsionar o turismo, o emprego local e a qualidade de vida dos habitantes.
Cabo submarino
Outro avanço esperado é a instalação de um cabo submarino de 2,2 Km, previsto para o primeiro semestre de 2025, que vai garantir maior segurança no fornecimento de energia.
“Este cabo vai criar um sistema de backup, essencial para eventuais manutenções ou interrupções na linha principal”, explicou João Baptista Borges.
Por seu turno, o governador de Luanda, Luís Nunes, destacou que o exemplo do Mussulo será replicado em outras áreas de Luanda, como Vila Flor e outras zonas periféricas que carecem de infra-estruturas básicas. “Estamos empenhados em levar a energia, água, saúde e educação para todas as zonas da província”, afirmou o dirigente, apelando à população para colaborar no combate ao vandalismo de infra-estruturas públicas.
Luís Nunes garantiu dias melhores para a população. “Melhores dias virão para a população de Luanda”, disse, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região do Mussulo, que passou a município, com a entrada em vigor da nova Divisão Político-Administrativa.
O Conselho de Ministros apreciou, recentemente, um projecto de diploma que cria e classifica como local de interesse turístico a Península do Mussulo.
O diploma tem como objectivo assegurar o melhor aproveitamento do Mussulo e promover o seu desenvolvimento turístico de forma harmoniosa e integrada.
A finalidade é também preservar as características naturais da localidade e mitigar os impactos negativos do crescimento turístico que se verifica na zona.
A iniciativa insere-se na estratégia do Executivo para potenciar o turismo como sector estratégico da economia, promovendo a geração de riqueza e a criação de empregos.
Início da electrificação
Com início em Janeiro de 2024, o projecto de electrificação do Mussulo, alimentado directamente pela Rede Eléctrica Nacional, é mais do que um projecto técnico, é uma obra de elevado valor social e económico, de acordo com o Ministério da Energia e Águas.
A execução do projecto, acrescenta, envolveu desafios técnicos importantes, uma vez que se trata de uma península de areia, com terrenos instáveis que dificultam o transporte e a instalação de infra-estruturas.
“Apesar das dificuldades, os prazos foram rigorosamente cumpridos, demonstrando a elevada competência e o compromisso de todos os envolvidos”, refere ainda o Ministério da Energia e Águas, em nota.
Fonte: Jornal de Angola