Nascido em Bradford, em 1937, Hockney destacou-se desde cedo pela irreverência e pela recusa em seguir convenções académicas, o que não impediu que se tornasse um dos nomes mais influentes da Pop Art. Obras como A Bigger Splash, My Parents e Portrait of an Artist (Pool With Two Figures) marcaram a sua carreira, sendo esta última vendida em 2018 por quase 90 milhões de dólares, estabelecendo um recorde para um artista vivo.
Ao longo de sete décadas, explorou diferentes linguagens artísticas: pintura, colagens fotográficas, paisagens abstratas e, mais recentemente, arte digital com recurso ao iPad e tecnologia 3D. Fixou-se na Califórnia nos anos 60, onde pintou paisagens luminosas que se tornaram emblemáticas, e mais tarde regressou ao Yorkshire, inspirando-se na paisagem rural da sua terra natal.
Hockney também deixou marca em Portugal, com exposições na Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu Nacional Soares dos Reis, além de presença em mostras coletivas na Coleção Berardo e em Serralves.
Nos últimos anos, viveu na Normandia e regressou a Londres em 2023. Em 2025, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, apresentou a maior exposição de sempre dedicada ao artista, reunindo mais de 400 obras.
Hockney deixa o companheiro de longa data, Jean-Pierre Gonçalves de Lima, familiares próximos e uma vasta obra que continua a inspirar gerações. Entre os seus livros, destacam-se Secret Knowledge e História da Imagem, onde refletiu sobre técnicas artísticas e o papel da pintura como expressão da humanidade.

Foto: Morreu David Hockney, ícone da arte contemporânea — Arquivo CF