A distinção marca também os 100 anos da Mecânica Quântica, disciplina que descreve o comportamento da matéria e da energia à escala do átomo e que sustenta o funcionamento de tecnologias como computadores, sensores e transístores.
Os laureados, ligados à Universidade da Califórnia, demonstraram, nas décadas de 1980, que o efeito de túnel pode ser observado também em sistemas macroscópicos, aproximando a teoria quântica do mundo visível. Segundo o Comité Nobel de Física, o trabalho “revelou a física quântica em acção” e impulsionou avanços cruciais na computação e criptografia quântica.
“Estou completamente perplexo. Nunca imaginei que isto pudesse ser a base de um Prémio Nobel”, afirmou John Clarke por telefone durante a conferência de imprensa, lembrando que “o telemóvel funciona graças a este tipo de ciência”.
O prémio, atribuído pela Real Academia Sueca das Ciências, inclui 11 milhões de coroas suecas (cerca de 1,2 milhões de dólares), a dividir entre os três vencedores.
Entre os galardoados anteriores constam nomes como Einstein, Schrödinger, Planck e Bohr, fundadores da teoria quântica. O Nobel de Física é considerado o mais prestigiado da disciplina e integra a lista de distinções criadas por Alfred Nobel, inventor da dinamite, em 1901.
John M. Martinis chefiou o Laboratório de Inteligência Artificial Quântica da Google até 2020, liderando a equipa que alegou ter alcançado a “supremacia quântica”, quando um computador quântico resolve um problema mais rapidamente que qualquer supercomputador clássico.
Michael Devoret, actualmente professor em Yale, é também cientista-chefe da Google Quantum AI, enquanto Clarke lecciona na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
A Academia Sueca destacou que os seus trabalhos “abriram caminho para tecnologias quânticas de nova geração, incluindo computadores, sensores e sistemas de criptografia avançados”.