O documento da ONU sublinha que, apesar de alguma resiliência registada recentemente, o crescimento global continua insuficiente para gerar benefícios amplos de desenvolvimento, deixando muitos países, comunidades e famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo o relatório, fatores como riscos geopolíticos, incerteza política persistente e restrições fiscais continuam a afetar o panorama económico internacional. A organização prevê que, em 2026, a produção global cresça 2,7%, ligeiramente abaixo dos 2,8% estimados para 2025 e bem inferior à média pré-pandemia de 3,2%.
O relatório destaca ainda que o comércio internacional deverá abrandar, parcialmente compensado por políticas monetárias mais acomodatícias. Apesar da redução da inflação em várias economias, o aumento do custo de vida continua a pressionar orçamentos familiares e a aprofundar desigualdades.
A ONU alerta também para riscos de perturbações na oferta de bens e serviços, associadas a conflitos, desastres climáticos, fragmentação comercial e tensões geopolíticas. Fragilidades estruturais persistem, incluindo investimento limitado e espaço fiscal restrito em muitos países.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, citado no relatório, afirmou que “o conjunto de tensões económicas, geopolíticas e tecnológicas está a remodelar o panorama global”, gerando incerteza económica e vulnerabilidades sociais. Guterres reforçou que muitos países em desenvolvimento continuam a enfrentar dificuldades, comprometendo o alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O relatório recorda que, em 2025, o aumento das tarifas comerciais dos Estados Unidos afetou o comércio global, embora a economia mundial tenha demonstrado resiliência acima do esperado.