Segundo o relatório intitulado “Uma Guerra de Atrocidades”, as RSF recorreram a execuções sumárias, deslocações forçadas e perseguições étnicas e políticas, enquanto o exército sudanês também é acusado de crimes de guerra contra civis. “Não se trata de tragédias acidentais, mas de estratégias deliberadas”, afirmou Mohamed Chande Othman, presidente da missão.
O documento destaca ainda que a fome foi utilizada como método de extermínio, após a invasão do campo de Zamzam, em abril, que obrigou milhares de deslocados a fugir novamente. El-Fasher, último bastião do exército na região, permanece sitiada há mais de um ano.
A ONU pediu a imposição de um embargo de armas e a criação de um tribunal independente para julgar os responsáveis. A guerra civil já provocou dezenas de milhares de mortos e forçou mais de 13 milhões de pessoas a abandonarem suas casas.
Paralelamente, Darfur enfrenta uma nova tragédia: um deslizamento de terras na região de Tarseen, causado por fortes chuvas, soterrando aldeias inteiras. A Save the Children reportou pelo menos 373 corpos recuperados, enquanto outras fontes apontam para até mil vítimas.
As operações de resgate têm sido dificultadas pelo isolamento da área e pelo conflito em curso. Organizações humanitárias relatam que sobreviventes escavam com as próprias mãos na tentativa de recuperar corpos e salvar familiares. A World Vision classificou a situação como “um dos desastres mais devastadores da história recente da região”.