As declarações foram feitas no final de uma audiência concedida pelo Chefe de Estado angolano, à margem da 3.ª edição da Iniciativa da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, que decorre em Luanda. Segundo Moratinos, num contexto internacional marcado por guerras e crises humanitárias, a realização do encontro em Angola representa uma forte mensagem em defesa do diálogo, da tolerância e da resolução pacífica dos conflitos.
O responsável das Nações Unidas destacou que a experiência angolana demonstra que a paz constitui o único caminho para alcançar a estabilidade, a reconstrução nacional e o desenvolvimento sustentável. Acrescentou ainda que João Lourenço tem desempenhado um papel relevante nos esforços de mediação em vários conflitos no continente africano, reforçando a projeção diplomática de Angola nos últimos anos.
A cimeira, organizada pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas, reúne representantes governamentais, líderes religiosos, organizações internacionais e membros da sociedade civil para debater mecanismos de prevenção de conflitos, combate ao extremismo e promoção da convivência entre diferentes culturas e religiões. Antes de Luanda, a iniciativa realizou-se em Guernica, em Espanha, e em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, duas cidades marcadas por conflitos que se tornaram símbolos da defesa da paz.
Segundo o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca, os trabalhos incluem sessões dedicadas à memória do processo de pacificação de Angola, ao papel da juventude, das mulheres e dos líderes religiosos na prevenção de conflitos, bem como debates sobre o impacto do mercenarismo na estabilidade dos Estados africanos. O encontro deverá terminar com a aprovação da Declaração de Luanda, documento que apelará ao reforço do respeito pelo direito internacional, à proteção da vida humana e ao fim dos conflitos armados.
"Entendemos hoje que um dos grandes males no capítulo das guerras que existem um pouco por todo o mundo é a utilização de mercenários recrutados sobretudo para provocar transformações inconstitucionais em várias partes do globo e particularmente no continente africano. Por isso, teremos também um painel dedicado a debater a questão do mercenarismo e o seu impacto na coesão social", referiu.
No encerramento, na sexta-feira, está prevista a aprovação da Declaração de Luanda, que visa sensibilizar sobretudo as grandes potências mundiais para a necessidade de preservação da vida humana.

Foto: ONU destaca papel de João Lourenço na promoção da paz e da mediação de conflitos — Arquivo CF