João Lourenço alertou que a ONU atravessa uma “intrincada situação” que ameaça diluir a sua autoridade e sublinhou que cabe aos Estados-membros evitar a perda do papel activo da organização. Defendeu a necessidade de um Conselho de Segurança mais democrático e representativo, conforme a posição africana expressa no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte.
O líder da União Africana criticou a passividade da ONU perante invasões de territórios e mudanças forçadas de governos, advertindo que tais práticas enfraquecem a legitimidade da instituição. Condenou ainda a exclusão da Palestina da sessão da Assembleia, a escalada da violência em Gaza e apelou ao levantamento do embargo contra Cuba.
Relativamente à guerra na Ucrânia, defendeu o diálogo directo entre Moscovo e Kiev, frisando que a Europa deve abandonar “cálculos perigosos” de vitória militar. No domínio económico, saudou o Compromisso de Sevilha e pediu a reforma urgente das instituições financeiras internacionais para melhor apoiar os países em desenvolvimento.
O Chefe de Estado reafirmou, por fim, o compromisso de Angola com o Acordo de Paris, bem como com as agendas 2030 da ONU e 2063 da União Africana, sublinhando a urgência de respostas colectivas às mudanças climáticas.