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Luanda, 09 de abril de 2026

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Palanca negra gigante: símbolo nacional sob ameaça exige ação urgente


IMG Foto: Palanca negra gigante: símbolo nacional sob ameaça exige ação urgente — Arquivo CF

O coordenador do projeto de conservação da espécie, Pedro Vaz Pinto, destacou que, apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas, a população atual ronda apenas 300 indivíduos — número que representa cerca de 10% do efetivo estimado há meio século. Para que a espécie possa sair da categoria de “criticamente em perigo” e passar para
“em perigo”, será necessário atingir pelo menos 500 exemplares, o que poderá levar entre cinco a dez anos, conforme os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Desde a sua descoberta em 1916, a palanca negra gigante enfrentou períodos de caça descontrolada, conflitos armados e degradação ambiental. A sua redescoberta em 2005, no Parque Nacional da Cangandala, impulsionou ações de conservação “in situ”, incluindo a criação de um santuário vedado e a introdução de um macho proveniente da Reserva Natural Integral do Luando.

Caça furtiva: principal ameaça à sobrevivência

Pedro Vaz Pinto revelou que um em cada quatro animais monitorados apresenta ferimentos causados por armadilhas, evidenciando que a caça ilegal não decorre da subsistência das comunidades locais, mas sim de um comércio lucrativo de carne seca nos mercados. O especialista defende uma resposta mais robusta, com reforço da fiscalização, recursos humanos capacitados e atuação judicial eficaz para responsabilizar os infratores.

Conservação e desenvolvimento: um equilíbrio necessário

A palanca negra gigante só existe em duas áreas protegidas na província de Malanje — Cangandala e Luando. Para garantir a sua sobrevivência, Vaz Pinto defende um ordenamento territorial rigoroso e uma gestão eficiente dos parques, com regras claras e zonas de conservação bem definidas. O investigador também sublinhou a importância de tornar a espécie acessível ao público angolano, promovendo o ecoturismo como ferramenta de educação ambiental e valorização cultural.

“Um parque nacional é também um museu natural. Mostrar a palanca aos angolanos é uma questão de orgulho nacional”, afirmou.

A Fundação Kissama, criada em 1995, é responsável pela implementação das ações de investigação e educação ambiental ligadas ao projeto de conservação da palanca negra gigante desde 2010. A conferência reuniu especialistas nacionais e internacionais, académicos, representantes da sociedade civil e instituições públicas, com o objetivo de debater soluções sustentáveis para a preservação da biodiversidade em Angola.