Numa entrevista concedida à cadeia televisiva NBC, durante uma vigília de oração em Castel Gandolfo, residência de verão dos papas, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos explicou que encara a nacionalidade como parte da sua história pessoal, mas que o seu papel ultrapassa fronteiras.
“Considero-me, antes de mais, o Papa. Acontece que sou norte-americano”, afirmou Leão XIV, acrescentando que a sua missão é servir uma Igreja presente em todo o mundo.
O pontífice, de 70 anos, destacou o “grande amor” que sente pela América e pelos valores que associa ao país, nomeadamente a liberdade, a oportunidade e a capacidade histórica de acolher pessoas de diferentes origens.
Leão XIV recordou ainda as suas raízes familiares marcadas pela imigração, explicando que os seus avós eram imigrantes e que a sua ascendência inclui diferentes experiências históricas, incluindo antepassados que foram escravos e outros que foram proprietários de escravos.
Antes de ser eleito Papa, Leão XIV passou cerca de duas décadas como missionário no Peru, experiência que, segundo o próprio, reforçou a sua visão internacional e o compromisso com uma Igreja próxima das diferentes realidades sociais.
Tal como o seu antecessor, o Papa Francisco, Leão XIV tem defendido a proteção dos migrantes e apelado ao respeito pela dignidade humana. Recentemente, durante uma visita a Lampedusa, uma das principais portas de entrada de migrantes na Europa através do Mediterrâneo, pediu maior solidariedade para com as pessoas em situação vulnerável.

Foto: Papa Leão XIV afirma sentir orgulho dos EUA, mas coloca missão universal da Igreja acima da nacionalidade — Arquivo CF