Segundo informações avançadas pelo Novo Jornal, o oficial, que exercia funções como chefe do Departamento de Processamento de Salários e Remunerações da Direção Nacional de Pessoal e Quadros, terá inserido no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE) nomes de cidadãos sem qualquer vínculo à Polícia Nacional. De acordo com a investigação disciplinar, os registos terão sido efetuados sem a existência dos respetivos despachos de admissão emitidos pelas entidades competentes, configurando uma violação das normas administrativas e disciplinares em vigor na corporação.
Antes da aplicação da sanção máxima, o responsável foi suspenso preventivamente e submetido a um processo disciplinar interno. A Polícia Nacional entendeu que a conduta violou os deveres previstos no Regime Disciplinar do Pessoal da instituição, determinando a sua expulsão. O despacho ordena ainda a devolução de todos os bens pertencentes à corporação que permaneciam na posse do antigo oficial, incluindo o passe de identificação e o Número de Identificação Policial (NIP).
A medida enquadra-se na política de reforço da disciplina interna anunciada recentemente pelo comandante-geral da Polícia Nacional, Francisco Ribas da Silva. No mês passado, o responsável afirmou que a instituição não tolerará comportamentos que atentem contra a sua credibilidade, revelando que mais de uma centena de efetivos foram expulsos nos últimos tempos por envolvimento em infrações consideradas graves.
Dados divulgados pela corporação indicam que, durante 2025, foram instaurados 749 processos disciplinares, dos quais resultaram 97 expulsões. No mesmo período, 1.042 efetivos foram alvo de sanções disciplinares, abrangendo oficiais, subchefes, agentes e trabalhadores civis, no âmbito das medidas destinadas a reforçar a ética, a legalidade e a responsabilização no seio da Polícia Nacional.

Foto: Polícia Nacional expulsa oficial superior por alegadas irregularidades no processamento de salários — Arquivo CF