Ao intervir na 8.ª Cerimónia de Atribuição de Medalhas Comemorativas dos 50 anos da Independência Nacional, o Chefe de Estado sublinhou que a homenagem a cidadãos nacionais e estrangeiros representa um gesto de gratidão e valorização da bravura, patriotismo e dedicação às causas de Angola.
“Reconhecer o contributo de todos é essencial para construir a Nação e preservar as conquistas alcançadas”, afirmou João Lourenço, destacando que 4.690 pessoas foram distinguidas com medalhas nas diferentes categorias.
O Presidente explicou que o processo de condecorações, autorizado por lei específica para o jubileu da Independência, visa enaltecer o papel de todos quantos contribuíram para o desenvolvimento e afirmação do país.
Durante o seu discurso, João Lourenço recordou o 11 de Novembro de 1975 como “o dia mais importante da História colectiva de Angola”, por ter simbolizado a conquista da liberdade, da dignidade e do direito à autodeterminação.
O estadista evocou ainda as etapas da história nacional — da luta de libertação à reconciliação e reconstrução — e apelou à reflexão sobre o futuro comum. “Este marco simbólico impele-nos a olhar para trás e a relembrar a longa trajectória percorrida até aqui, mas também a projectar o país que queremos construir”, sublinhou.
Homenagem a líderes nacionais e estrangeiros
A cerimónia distinguiu 40 Chefes de Estado e de Governo, atuais e antigos, cujos países apoiaram Angola durante a luta de libertação, o conflito armado e o processo de reconstrução nacional.
Entre os distinguidos estão Fidel Castro, Nelson Mandela, Denis Sassou Nguesso, Hassan II, Kwame Nkrumah, Julius Nyerere, Kenneth Kaunda, Robert Mugabe, Sam Nujoma e Pedro Pires, entre outros líderes africanos e internacionais.
João Lourenço expressou também gratidão à antiga União Soviética, à China, a Cuba e ao Brasil, destacando o apoio material, militar, educativo e diplomático que cada um prestou em momentos cruciais da história angolana.
“A China foi determinante na reconstrução das infra-estruturas do país, Cuba deu-nos apoio militar e humano inestimável, e o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a nossa soberania”, lembrou.
O Presidente da República dirigiu ainda palavras de apreço ao Vaticano e às igrejas protestantes, pelo papel desempenhado na educação, formação e consciencialização nacional, bem como aos países africanos da Linha da Frente — Argélia, Tanzânia, Zâmbia e Congo Brazzaville — pelo apoio decisivo à luta contra o apartheid.
Reconhecimento póstumo a José Eduardo dos Santos
Na ocasião, João Lourenço destacou a outorga da Medalha dos 50 anos da Independência, na Classe de Honra, ao antigo Presidente José Eduardo dos Santos, em reconhecimento ao seu papel histórico e ao contributo decisivo para a paz e reconciliação nacional.
“José Eduardo dos Santos teve um papel ímpar na conquista da paz e na reconciliação, que lhe valeu o título de Campeão da Paz e da Reconciliação Nacional”, afirmou o Chefe de Estado.
A cerimónia, marcada por momentos de emoção e simbolismo, reforçou a ideia de que a construção da Nação angolana é fruto da coragem, da solidariedade e do compromisso de várias gerações, dentro e fora do país.