A apresentação esteve a cargo de Joaquim Kiteculo, Presidente da Comissão Executiva da Unidade de Negócios de Refinação e Petroquímica da Sonangol.
Cabinda já produz derivados
A Refinaria de Cabinda iniciou a produção em Março de 2026 e, segundo os dados apresentados no Conselho Consultivo, processa actualmente cerca de 15.750 barris de petróleo por dia.
A primeira fase da unidade foi inaugurada em Setembro de 2025 e foi concebida para atingir uma capacidade de processamento de 30 mil barris por dia, dentro de uma capacidade global projectada de 60 mil barris/dia. O projecto resulta de uma parceria entre a Gemcorp, com 90%, e a Sonangol, com 10%.
Entretanto, o Sistema Offshore de Importação e Exportação da Refinaria de Cabinda apresenta 61,2% de execução física. A infraestrutura deverá permitir, entre outras operações, a exportação directa de produtos refinados.
Para a segunda metade de 2026, as prioridades passam por aumentar gradualmente o processamento da refinaria, avançar com a segunda fase do projecto e concluir as estruturas necessárias para iniciar a exportação de derivados.
Na província de Benguela, a Refinaria do Lobito apresenta uma execução global de 25%, de acordo com o balanço apresentado no Conselho Consultivo.
O empreendimento terá capacidade para processar até 200 mil barris de petróleo bruto por dia, tornando-se numa das maiores infra-estruturas de refinação do país. O projecto pretende reduzir a dependência de Angola da importação de combustíveis,
A refinaria está projectada para produzir principalmente gasóleo e gasolina, além de outros derivados, com padrões de qualidade EURO V/AFRI V. O investimento estimado para esta primeira etapa é de cerca de 3,8 mil milhões de dólares.
O Governo prevê que a primeira produção aconteça em Dezembro de 2027, depois da conclusão das unidades prioritárias e de um período de comissionamento e testes.
O projecto conta actualmente com mais de três mil trabalhadores envolvidos nas obras, segundo informação divulgada pelo MIREMPET.
Soyo e biocombustíveis também fazem parte da estratégia
Além de Cabinda e Lobito, o Executivo mantém na agenda a Refinaria do Soyo, embora o projecto esteja a ser reavaliado devido a dificuldades relacionadas com o financiamento do promotor.
A estratégia do sector inclui ainda a aposta em biocombustíveis e combustível sustentável para a aviação (SAF), enquadrada nos esforços de diversificação da matriz energética e de transição para fontes de energia com menor impacto ambiental.
O Governo considera o reforço da capacidade nacional de refinação uma medida importante para reduzir a factura de importação de combustíveis, aumentar a produção interna de derivados e reforçar a segurança energética de Angola. O próprio MIREMPET aponta a expansão da Refinaria de Luanda e os projectos de Cabinda, Lobito e Soyo como parte desta estratégia.

Foto: Refinaria de Cabinda já produz 15.750 barris de petróleo por dia — Arquivo CF