José António Panzo, primeiro secretário da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), denunciou ao Novo Jornal que a crise financeira alegada pela direção da TCUL seria um problema deliberado. Segundo ele, os trabalhadores estão sem receber o subsídio de férias, prática que sempre foi habitual na empresa.
Para o sindicalista, essa decisão é inadmissível, pois prejudica não apenas os funcionários, mas também o próprio funcionamento da TCUL. Panzo ressaltou que, mesmo durante a pandemia de Covid-19, período de dificuldades financeiras, a empresa manteve o pagamento dos subsídios.
Em resposta às declarações do sindicalista, o presidente do conselho de administração da TCUL, Nelson Pereira Jorge, justificou a suspensão do subsídio de férias devido à grave crise financeira enfrentada pela empresa. Segundo ele, das centenas de autocarros da frota, apenas 73 estão operacionais, e as receitas atuais mal conseguem cobrir os salários dos trabalhadores.
No entanto, Jorge garantiu que o problema será resolvido assim que houver reforço na frota nos próximos meses. Além disso, ele enfatizou que o Bureau Sindical Austral é a única entidade sindical reconhecida pela TCUL, classificando a CGSILA como ilegal.
A Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL), criada em fevereiro de 1988 como Unidade Económica Estatal (UEE), opera sob a Lei nº 11/13, que substituiu a legislação anterior. Seu funcionamento segue um estatuto orgânico e regulamento interno de empresa pública.
Além disso, ele questionou a justificativa da direção sobre a falta de recursos, lembrando que o Executivo continua a investir na empresa, adquirindo novos autocarros e subvencionando combustíveis. Recentemente, foram entregues 153 veículos para melhorar o transporte na capital, mas grande parte deles encontra-se inoperante.
Segundo Panzo, a frota da TCUL conta com mais de 600 autocarros imobilizados por falta de peças e manutenção, além da ausência de seguros em muitos veículos. O sindicalista critica a postura da direção, que, segundo ele, aguarda passivamente que o Executivo volte a reforçar a frota, em vez de buscar soluções efetivas para garantir a operacionalidade dos transportes.