Durante a visita ao Memorial da História da Escravatura, o chefe da diplomacia angolana guardou um minuto de silêncio em memória dos cerca de 20 milhões de africanos que foram deportados da chamada Costa dos Escravos para as Américas entre os séculos XV e XIX, período em que milhões de homens, mulheres e crianças foram forçados à escravidão. O percurso integra o projecto internacional "A Rota do Escravo", lançado pela UNESCO em 1994 para preservar a memória deste capítulo da história e promover o diálogo intercultural.
A visita incluiu vários dos locais mais emblemáticos de Ouidah, entre os quais o Forte Português de São João Baptista de Ajudá, actualmente transformado em museu, a Praça Chacha, onde os escravos eram comercializados, a Árvore do Esquecimento, a Casa Zomai, utilizada para manter os cativos antes do embarque, o Memorial de Zoungbodji, destinado às vítimas que morriam durante o cativeiro, a Árvore do Retorno e a simbólica Porta do Não Retorno, considerada o último ponto de passagem dos africanos antes da travessia do Atlântico.
Téte António visitou igualmente uma réplica de um navio negreiro, restaurada para preservar a memória do tráfico humano. Segundo os responsáveis locais, a embarcação representa as rotas utilizadas durante séculos para transportar escravos entre a costa africana e vários destinos nas Américas, incluindo o Brasil, as Caraíbas e os Estados Unidos.
No decurso da visita, o ministro conheceu também o Templo dos Pítons, um dos principais símbolos da religião Vodu no Benim. Reconhecida oficialmente pelo Estado beninense desde 1996, esta prática religiosa continua a desempenhar um papel central na identidade cultural do país e atrai milhares de visitantes durante o Festival Internacional do Vodu, realizado anualmente em Janeiro.
As autoridades locais explicaram que uma equipa composta por historiadores, arqueólogos, sociólogos e antropólogos, em colaboração com a UNESCO, tem vindo a desenvolver um vasto trabalho de investigação sobre o tráfico transatlântico de escravos, permitindo recuperar milhares de registos históricos, vestígios arqueológicos e informações sobre as comunidades afectadas.
A visita de Téte António reforça o compromisso de Angola com a preservação da memória histórica, a valorização do património africano e o fortalecimento dos laços entre o continente e as comunidades afrodescendentes espalhadas pelo mundo.
Fonte: Ministério das Relações Exteriores (MIREX) / UNESCO.

Foto: Téte António visita Rota dos Escravos no Benim e homenageia vítimas do tráfico transatlântico — Arquivo CF