"O Irão pediu uma reunião. Terá lugar amanhã, em Doha", escreveu o chefe de Estado norte-americano, sem adiantar pormenores sobre o eventual encontro ou os temas que estarão em discussão.
Até ao momento, as autoridades iranianas não reagiram oficialmente às declarações de Donald Trump. Horas antes, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão para os Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, tinha afirmado que não estava prevista qualquer reunião dos grupos técnicos durante esta semana, contrariando informações anteriormente avançadas pelo Paquistão, país que tem desempenhado um papel de mediação entre as partes.
Entretanto, um responsável norte-americano confirmou que Washington e Teerão deverão retomar as conversações técnicas previstas no memorando de entendimento assim que estejam reunidas as condições para a livre navegação no Estreito de Ormuz.
As tensões entre os dois países intensificaram-se na passada semana, após um ataque iraniano contra um navio de bandeira de Singapura que navegava naquela importante rota marítima. Em resposta, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra alvos iranianos, alegando que Teerão violou os compromissos anteriormente assumidos. O Irão rejeitou essa acusação e respondeu com ataques dirigidos a interesses norte-americanos no Médio Oriente.
No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reiterou que a responsabilidade pela gestão do Estreito de Ormuz pertence exclusivamente à República Islâmica, defendendo que qualquer intervenção externa poderá agravar a crise e atrasar a normalização da circulação marítima na região.
Nos últimos meses, Teerão tem defendido uma gestão partilhada do estreito com Omã, posição que contrasta com a de Washington e de vários aliados, que apelam ao restabelecimento do regime de livre navegação existente antes do agravamento do conflito.

Foto: Trump diz que Irão solicitou encontro para terça-feira em Doha — Arquivo CF