Os municípios do Uíge, Negage e Songo estão entre as zonas afectadas, sendo o município do Uíge aquele que concentra actualmente o maior número de casos e que apresenta a situação epidemiológica mais preocupante.
O novo aumento surge num contexto em que Angola continua a enfrentar a circulação da doença. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicavam que o país tinha registado 4.852 casos e 96 mortes entre 1 de Janeiro e 31 de Maio de 2026, evidenciando a persistência do surto.
A OMS tem destacado a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta das autoridades, sobretudo nas zonas onde as condições de acesso à água segura e ao saneamento podem favorecer a propagação da doença.
No início deste ano, o Governo angolano, com apoio da OMS, inaugurou o Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública (COESP) e seis estruturas regionais, incluindo uma no Uíge, com o objectivo de melhorar a coordenação e a resposta a emergências sanitárias.
A resposta à cólera tem igualmente envolvido o reforço da logística de saúde e da distribuição de materiais essenciais. Em Abril, o Ministério da Saúde, a OMS e o Programa Alimentar Mundial realizaram uma formação destinada a melhorar a gestão e distribuição de produtos médicos utilizados na resposta ao surto.
Apesar dos esforços, o reaparecimento de novos casos no Uíge mantém a preocupação das autoridades, sobretudo devido ao risco de expansão para outras comunidades.

Foto: Uíge regista aumento de casos de cólera com cerca de 400 infecções em três semanas — Arquivo CF