Em comunicado citado pela agência Lusa, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, reiterou que o bloco europeu considera que Nicolás Maduro não detém legitimidade como presidente democraticamente eleito, defendendo uma transição conduzida pelos próprios venezuelanos e em conformidade com os princípios do direito internacional.
A posição da diplomacia europeia contou com o apoio de 26 Estados-membros, com excepção da Hungria, segundo informou a agência espanhola EFE. No documento, a UE sublinha que o povo venezuelano tem o direito soberano de decidir o seu futuro político, apelando a todas as partes envolvidas para que actuem com contenção, de modo a garantir uma solução pacífica para a crise.
O posicionamento europeu surge na sequência da ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos, no sábado, contra a Venezuela, com o objectivo de capturar e julgar o Presidente Nicolás Maduro e a sua esposa. Washington anunciou ainda a intenção de governar o país até à conclusão de um processo de transição política.
Horas após o ataque, e perante a incerteza quanto à liderança do país, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu a possibilidade de uma segunda ofensiva, caso se revele necessária. Nicolás Maduro e a esposa foram entretanto transportados para Nova Iorque, onde o líder deposto deverá comparecer, esta segunda-feira, perante um tribunal em Manhattan.
Na Venezuela, a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu interinamente a chefia do Estado. Entretanto, a comunidade internacional permanece dividida entre condenações à acção militar norte-americana e manifestações de apoio à queda de Maduro. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para as “implicações preocupantes” que a ofensiva poderá ter para a estabilidade da região.