Segundo o executivo comunitário, metade do montante, correspondente a 10 milhões de euros, será canalizada para assistência direta às populações mais afetadas, incluindo o fornecimento de alimentos, água potável, medicamentos, abrigo temporário e outros bens essenciais. Os restantes 10 milhões de euros, sujeitos à aprovação da Autoridade Orçamental da União Europeia, destinam-se a apoiar as equipas de busca e salvamento, missões médicas e especialistas destacados para o terreno.
O anúncio coincide com a deslocação da comissária europeia para a Preparação, Gestão de Crises e Igualdade, Hadja Lahbib, à Venezuela. Durante a visita, a responsável europeia reúne-se com parceiros humanitários financiados pela União Europeia, autoridades venezuelanas responsáveis pela coordenação da resposta de emergência e equipas médicas mobilizadas através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
"Embora a Venezuela esteja do outro lado do oceano, o sofrimento do povo venezuelano merece toda a nossa solidariedade. Este financiamento permitirá prestar assistência vital às famílias que perderam as suas casas e os seus meios de subsistência", afirmou Hadja Lahbib, citada pela Comissão Europeia.
Com este novo apoio, o financiamento humanitário da União Europeia à Venezuela ascende a 77 milhões de euros em 2026. O montante inclui cinco milhões de euros aprovados no final de junho para resposta imediata aos sismos e outros 52 milhões atribuídos anteriormente para mitigar os efeitos da prolongada crise socioeconómica no país.
Além do apoio financeiro, Bruxelas ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mobilizando cerca de 750 operacionais e especialistas provenientes de 18 Estados-membros, entre os quais Portugal. A resposta europeia inclui equipas de busca e salvamento, hospitais de campanha, medicamentos, abrigos de emergência, sistemas de telecomunicações por satélite e cartografia de emergência através do programa Copernicus. A Comissão Europeia promoveu ainda uma ponte aérea humanitária que transportou cerca de 80 toneladas de bens essenciais para as zonas mais afetadas.
Entretanto, o mais recente balanço divulgado pelas autoridades venezuelanas indica que o número de vítimas mortais provocadas pelos dois sismos de magnitudes 7,2 e 7,5, registados a 24 de junho, subiu para 4.734 mortos, após mais de 1.200 réplicas. Entre as vítimas encontram-se 117 cidadãos portugueses e lusodescendentes, segundo confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Foto: União Europeia reforça apoio à Venezuela com mais 20 milhões de euros para resposta aos sismos — Arquivo CF