A necessidade de uma articulação mais eficaz entre os diversos actores do sector agrícola em África foi reafirmada durante o Seminário Multissectorial de Alto Nível sobre o Fortalecimento da Pesquisa, Extensão e Desenvolvimento (RED), promovido pela Comissão da União Africana (UA), recentemente realizado em Kampala, capital do Uganda.
O encontro destacou a importância de institucionalizar abordagens integradas que alinhem os planos nacionais e regionais de investimento agrícola à implementação de sistemas alimentares resilientes, sustentados por dados fiáveis, soluções digitais interoperáveis e um envolvimento multissectorial inclusivo, em consonância com a Declaração e o Plano de Acção de Kampala do Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola de África (CAADP) 2026-2035.
Segundo informações divulgadas pela União Africana, os participantes sublinharam que a aprendizagem entre pares e o fortalecimento da cooperação regional são fundamentais para transformar os compromissos políticos do CAADP em resultados concretos e mensuráveis em todo o continente.
Ancorado no Programa de Resiliência dos Sistemas Alimentares (FSRP) e alinhado com o CAADP, o seminário baseia-se nas conquistas do período 2019-2025, concentrando-se agora na criação de vínculos duradouros entre pesquisa, extensão, educação, inovação e mercados.
Em representação do comissário da UA para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Meio Ambiente Sustentável, Moses Vilakati, o oficial de políticas Kennedy Ayson afirmou que África assumiu uma escolha política clara ao optar por sistemas agroalimentares integrados e resilientes, salientando que o principal desafio actual reside na execução institucional dessas decisões.
Apesar dos desafios enfrentados pelos sistemas alimentares africanos — como choques climáticos, conflitos, instabilidade dos mercados e volatilidade das cadeias globais de abastecimento — os participantes reconheceram as oportunidades emergentes proporcionadas pela inovação digital, pelo agronegócio liderado por jovens, pela Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) e pelo próprio FSRP.
O director executivo do Fórum para a Pesquisa Agrícola em África (FARA), Aggrey Agumya, descreveu o evento como um momento de transição estratégica, enfatizando que, embora os projectos tenham um ciclo limitado, as instituições precisam de se consolidar para garantir impactos duradouros.
A directora executiva do Fórum Africano de Serviços de Assessoria Agrícola (AFAAS), Lilian Lihasi, reforçou o compromisso da organização em assegurar que a pesquisa e a inovação resultem em benefícios directos para os agricultores, por meio de sistemas de extensão eficazes, inclusivos e orientados pela demanda, destacando ainda o papel do Uganda como referência no diálogo regional sobre políticas agrícolas.
O seminário abordou igualmente temas como digitalização, integração do mercado regional, mobilização de recursos e concepção conjunta de iniciativas estratégicas, incluindo o AfricAgriTradeLink. As deliberações deverão culminar na adopção do Comunicado RED de Kampala, com resoluções e compromissos institucionais a serem submetidos à Comissão da União Africana.
A reunião reafirmou a determinação colectiva de África em evoluir de intervenções pontuais para sistemas continentais sólidos, capazes de transformar conhecimento em resiliência, inovação em rendimento e mercados em prosperidade partilhada.

Foto: África aposta na integração institucional para transformar os sistemas agroalimentares — Arquivo CF