Durante a abertura da “Reunião das Chefias das Forças Armadas Angolanas 2025”, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, destacou a importância da prontidão combativa das forças governamentais, devido ao aumento dos conflitos em várias regiões da África, muitos deles motivados por interesses externos e ambições internas de tomada de poder por meios inconstitucionais, como golpes de Estado e insurreições populares.
“Angola mantém uma postura de firme repúdio a estas práticas, reforçando a necessidade das Forças Armadas permanecerem em estado de prontidão”, alertou.
Francisco Furtado também enfatizou a importância da soberania e da ordem constitucional, especialmente diante do agravamento dos conflitos no continente. Para ele, a defesa do país vai além do uso de armas, abrangendo também o combate aos crimes económicos e financeiros, ao tráfico de seres humanos, à cibercriminalidade e à imigração ilegal.
Instabilidade no continente O ministro ressaltou o papel de Angola na busca por soluções pacíficas, particularmente na Região dos Grandes Lagos, onde a violência no Leste da República Democrática do Congo (RDC) continua a ameaçar a segurança regional.
O general de exército reformado defendeu a necessidade de melhorar a preparação das forças militares, investindo na modernização de equipamentos e no aperfeiçoamento das estratégias de defesa.
Francisco Furtado também destacou o papel das Forças Armadas Angolanas em missões de paz e assistência humanitária sob a égide de organizações como a União Africana (UA), a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).
Além da defesa nacional, o governante elogiou a colaboração entre as FAA e a Polícia Nacional no combate ao vandalismo e na proteção dos bens públicos. “Devemos continuar nesta senda, reforçando a cooperação no combate à criminalidade e outras ameaças à ordem pública”, destacou.
Crise na RDC Referindo-se à instabilidade na República Democrática do Congo, o governante sublinhou o papel do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, como Presidente em exercício da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e prestes a assumir a presidência rotativa da União Africana, nos esforços diplomáticos para resolver o conflito no país vizinho.
Francisco Pereira Furtado reafirmou a posição do Executivo angolano de que o diálogo é a única via para garantir a segurança e a estabilidade na região. “Devemos trabalhar unidos na remoção dos obstáculos que ameaçam o Roteiro de Paz de Luanda”, declarou, apelando ao reforço dos mecanismos de verificação e controle que obriguem grupos como o M23 e outros atores armados a cumprirem os acordos estabelecidos.
Formação dos efectivos Francisco Furtado destacou a necessidade de um investimento contínuo na formação dos efectivos, na educação patriótica e na disciplina dentro das forças de defesa e segurança.
“Temos a sublime missão de incutir nos militares os valores e princípios da organização castrense, que os diferenciem e os tornem mais fortes para enfrentar os desafios nos momentos de maior adversidade”, sublinhou.
O encontro reforçou o compromisso das Forças Armadas Angolanas (FAA) com a estabilidade e segurança de Angola, num momento em que o país se posiciona como um fator-chave na resolução de conflitos na região.