De acordo com os dados oficiais, actualizados até domingo, foram confirmados 2.473 casos da doença, dos quais 999 resultaram em morte, evidenciando a gravidade do surto que afecta principalmente a província de Ituri, no leste do país.
A epidemia foi declarada a 15 de Maio de 2026 e é provocada pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, uma variante para a qual não existe actualmente qualquer vacina aprovada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
As autoridades sanitárias alertam que cerca de 80% dos novos casos estão associados a cadeias de transmissão ainda desconhecidas, o que dificulta o rastreio dos contactos e aumenta o risco de propagação da doença.
Apesar do reforço das equipas de vigilância epidemiológica e da resposta médica em Ituri e noutras quatro províncias onde já foram identificados casos, o controlo da epidemia continua comprometido pela insegurança e pela instabilidade na região.
Segundo as autoridades, ataques contra unidades de saúde e equipas de resposta obrigaram à suspensão de operações em algumas zonas afectadas. Paralelamente, vários profissionais de saúde entraram em greve, alegando falta de pagamento de salários desde o início da epidemia, situação que agravou ainda mais a capacidade de resposta das estruturas sanitárias.
A Organização Mundial da Saúde considera o risco de propagação da epidemia elevado na África Subsaariana, embora mantenha a avaliação de baixo risco de disseminação global, continuando a acompanhar a evolução da situação em colaboração com as autoridades congolesas e parceiros internacionais.
O vírus Ébola transmite-se através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. A infecção provoca febre hemorrágica grave, podendo evoluir rapidamente para falência de múltiplos órgãos e morte, sobretudo quando não existe acesso imediato a cuidados médicos.
Esta é a 17.ª epidemia de Ébola registada na República Democrática do Congo e uma das mais graves da história do país, tanto pelo número de vítimas como pela velocidade de propagação da doença.

Foto: Epidemia de Ébola na RDCongo já provocou 999 mortes — Arquivo CF