A embaixada dos EUA no Mali informou que a taxa foi introduzida para reforçar o "compromisso de Washington com a protecção das fronteiras americanas e a salvaguarda da segurança nacional dos EUA".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Mali afirmou, no domingo, que a caução foi imposta unilateralmente e que decidiu "estabelecer um programa de vistos idêntico" para os cidadãos norte-americanos. A mudança na política de vistos acontece apesar das iniciativas para melhorar as relações diplomáticas entre os dois países.
Em Julho, as autoridades norte-americanas visitaram o Mali para discutir a cooperação antiterrorista e as parcerias económicas, incluindo o possível acesso às reservas de ouro e lítio do Mali. As relações deterioraram-se após um golpe no Mali em 2021, que levou o general Assimi Goïta à ascensão ao poder.
O país da África Ocidental aproximou-se da Rússia, expulsando tropas francesas e trazendo mercenários do grupo Wagner, agora substituídos pelo Corpo de África.
Há dois dias, o Governo militar do Burkina Faso recusou receber deportados dos EUA, depois de Washington suspender a emissão de vistos para o país. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Karamoko Jean-Marie Traoré, criticou a decisão, chamando-a de “chantagem”.
Neste fim-de-semana, o líder transitório do Mali, o general Assimi Goïta, demitiu formalmente uma dúzia de militares de alta patente envolvidos numa tentativa de golpe falhada em Agosto, segundo decreto presidencial.
HRW denuncia deportações dos EUA
A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou que centenas de pessoas deportadas pelos Estados Unidos para países africanos enfrentam risco de detenção arbitrária e maus-tratos.
A HRW considera “obscuros” os acordos que facilitam tais deportações e apelou aos governos africanos que recusem os pactos e revelem seus termos.
A organização afirmou ainda que países como Rwanda, eSwatini e Sudão do Sul receberam apoios financeiros em troca de aceitar deportados — violando, assim, o direito internacional.