O documento apresenta um cenário preocupante, destacando o agravamento da pobreza e o aumento das desigualdades sociais, num contexto que terá revertido parte significativa dos progressos alcançados nas últimas décadas, segundo os dados apresentados, cerca de 81% da população moçambicana vive com menos de três dólares por dia, considerando a paridade do poder de compra. Este indicador coloca o país entre os mais vulneráveis do planeta em termos de rendimento per capita.
O relatório sublinha igualmente que o coeficiente de Gini utilizado para medir o nível de desigualdade na distribuição de rendimentos está fixado em 50, posicionando Moçambique entre os dez países mais desiguais do mundo, entre os factores que agravam o quadro económico estão os impactos recentes das cheias, que afectaram áreas agrícolas e comprometeram infra-estruturas essenciais, incluindo a principal via rodoviária do país. Acresce ainda a incerteza em torno da actividade da Mozal, uma das maiores unidades industriais nacionais, bem como os efeitos adversos da conjuntura económica internacional.
O Banco Mundial alerta que, diante deste contexto, o Governo poderá enfrentar dificuldades financeiras significativas nos próximos dois anos, sobretudo devido ao elevado nível de endividamento interno e à limitada margem para obtenção de financiamento externo, para mitigar a situação, a instituição recomenda a implementação de medidas estruturais, entre as quais a realização de um censo rigoroso na função pública para eliminar eventuais irregularidades, a revisão de incentivos fiscais considerados pouco eficazes, o reforço da gestão da dívida pública e a adopção de estratégias destinadas a controlar a massa salarial do Estado.
Segundo o relatório, estas acções são consideradas essenciais para estabilizar as finanças públicas, ampliar o acesso a fontes de financiamento e criar bases mais sólidas para o crescimento económico sustentável.

Foto: Moçambique é o segundo país mais pobre do mundo, revela relatório do Banco Mundial — Arquivo CF