Segundo o Inam, os distritos costeiros das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane serão os mais afetados pela instabilidade atmosférica.
O impacto da época chuvosa tem sido devastador: de acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), desde outubro até 19 de janeiro registaram-se 114 mortos, seis desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil pessoas afetadas, correspondendo a mais de 141 mil famílias. Foram destruídas 4.910 casas e outras 11.367 ficaram parcialmente danificadas.
As cheias obrigaram à abertura de 83 centros de acomodação, dos quais 72 permanecem ativos, acolhendo cerca de 88.500 pessoas. A infraestrutura nacional sofreu igualmente danos significativos: 318 escolas, 56 unidades de saúde, 44 templos religiosos, sete pontes, 27 aquedutos e mais de 2.500 quilómetros de estradas foram afetados, além da queda de 193 postes de eletricidade.
A agricultura também não escapou ao impacto, com 165.841 hectares de cultivo atingidos, dos quais mais de 75 mil considerados perdidos, afetando mais de 112 mil agricultores. Foram ainda registadas perdas de 61.627 cabeças de gado.
O Governo estima que 40% da província de Gaza esteja submersa, enquanto vários distritos de Maputo se encontram inundados. Pelo menos 152 quilómetros de estradas nacionais foram destruídos. Para coordenar a resposta, foi criado um centro nacional de operações em Xai-Xai, liderado pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa.
As operações de resgate continuam, com recurso a cerca de uma dezena de meios aéreos, embora condicionadas pelo mau tempo. Muitas famílias permanecem isoladas, algumas refugiadas em telhados, enquanto as barragens nacionais e de países vizinhos intensificam descargas para evitar colapsos.

Foto: Moçambique em alerta: depressão tropical agrava cenário de cheias — Arquivo CF