O alerta foi enviado aos utilizadores de telemóveis pouco depois do restabelecimento da Internet, momento em que começaram a circular imagens não verificadas de supostas vítimas dos confrontos. Uma página de rede social que publicava vídeos e fotos de protestos foi removida após ganhar milhares de seguidores em apenas um dia.
Apesar das mortes relatadas, o governo ainda não divulgou números oficiais. A Presidente Samia Suluhu Hassan, durante a sua posse na segunda-feira, confirmou que houve vítimas e pediu às forças de segurança que garantissem a normalização da situação.
Organizações como a Human Rights Watch criticaram a repressão violenta e citaram o partido da oposição Chadema, que apontou mais de mil mortos. A Igreja Católica mencionou “centenas” de mortos, mas não conseguiu confirmar os números exatos.
A eleição de 29 de outubro, na qual Samia foi declarada vencedora com mais de 97% dos votos, teve exclusão dos principais candidatos da oposição. Os protestos começaram no dia da votação e se estenderam por vários dias, sendo reprimidos com tiros, gás lacrimogéneo e recolher obrigatório.
Com a retomada gradual da normalidade, mercados e transportes públicos voltaram a funcionar em cidades como Dar es Salaam e Dodoma. O governo também pediu que todos os funcionários públicos retornassem ao trabalho, encerrando medidas de trabalho remoto adotadas durante o recolher obrigatório.
A Human Rights Watch apelou ao governo para responsabilizar os autores das mortes e restaurar total conectividade à Internet, reforçando que as restrições violam o direito à liberdade de expressão e ao acesso à informação.
A posse de Samia Suluhu Hassan ocorreu em forte esquema de segurança, em um campo de desfiles militares, com a cerimônia fechada ao público e transmitida pela TV estatal. Observadores internacionais expressaram preocupação quanto à transparência do processo eleitoral e à violência registrada durante os protestos, com números de vítimas ainda contestados.