“Não podemos negar nem minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram a escravatura”, escreveu o Papa, sublinhando que esta é “uma ferida na memória cristã”.
O documento, dedicado sobretudo aos desafios éticos da inteligência artificial, denuncia também “novas formas de escravatura” ligadas à economia digital.
Leão XIV recordou que apenas no século XIX, com o Papa Leão XIII, surgiu uma condenação formal e universal da escravatura. Antes disso, a própria Igreja chegou a possuir escravos e a aconselhar monarcas sobre como legitimar a prática.
“Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, afirmou o pontífice, acrescentando que é inevitável sentir tristeza perante o sofrimento e humilhação causados pela escravatura.
Na encíclica, o Papa rejeitou ainda o conceito de “guerra justa”, frequentemente invocado para justificar conflitos, defendendo que apenas o direito à legítima defesa, em sentido estrito, deve ser considerado. A posição tem gerado tensões com Washington, onde a administração norte-americana tem usado esse argumento para justificar ações militares, nomeadamente contra o Irão.

Foto: Papa pede perdão pelo papel da Igreja na escravatura — Arquivo CF